25 maio 2007

Pentecostes - 27 de Maio de 2007

Atos dos Apóstolos 2.1-21
Salmo 104.24-35, 35b
Carta aos Romanos 8.14-17
São João 14.8-17 (25-27)
Nossa Compreensão sobre as Greves
Sejamos honestos, digamos que, fundamentalmente, a posição que adotamos nem é tanto baseada em salários, horários e condições de trabalho mas na verdade fundamental de que os seres humanos devem ser tratados não como coisas, mas como seres humanos, como - templos do Santo Espírito -. Quando Cristo tomou nossa natureza humana, quando Ele se fez homem, dignificou e enobreceu a natureza humana. Disse Ele, - O Reino do Céu está dentre vocês -. Quando os humanos fazem greve, estão seguindo um impulso, por vezes cego, muitas vezes desinformado, mas bom impulso - podemos até dizer, impulso inspirado pelo Santo Espírito. Estão tentando afirmar seus direitos em ser tratados não como escravos, mas como humanos. Estão lutando contra a idéia do trabalho como mercadoria, a ser vendida ou comprada."
Dorothy Day, Selected Writings
The Anglican Digest, Pentecostes, 2007

Deus, o convidado
Se eu perguntar a você.... se ama a Deus, você certamente me responderá, com inteira e firme confiança, que sim. Mas ... - Se alguém me amar, guardará minha palavra -. A prova do amor é a manifestação em ações. É por isso que São João diz em sua I Carta que, - alguém que diga, amo a Deus, mas não observa seus mandamentos, é mentiroso.
... Amigos, consideremos a grandeza desta festa solene que comemora a visista de Deus como convidado em nossos corações! Se um amigo rico e influente viesse à sua casa, você prontamente colocaria tudo em ordem para que nada ofendesse os olhos do amigo ao chegar. Todos nós, pois, que preparamos nossas moradias interiores para Deus, limpemos de casa, todos erros que para dentro temos trazido.
São Gregório, o Grande, Homilia 30 em Be Friends with God


IAET E SETEK

A colaboração entre o SETEK como Seminário Provincial no sul do país alcança mais um espaço de solidariedade. Por convite de D. Hiroshi Ito, Bispo Diocesano, o Deão do SETEK teve a oportunidade de trabalhar com os alunos do IAET, na data de 19 de Maio, o tema da Teologia Eucarística. Não é a primeira vez em que professores do SETEK contribuem, de uma ou outra forma para a Educação Teológica na vida Diocesana/Provincial e, contamos como certo, não será última. Uma proximidade deste gênero edifica tanto o SETEK como os processos diocesanos de formação.


Eucaristia de abertura das aulas do dia,
Capela do Centro Diocesano Dom S. Takatsu


Estudantes do IAET - 19 de Maio de 2007


Santa Eucaristia - Paróquia de São João, Pinheiros, SP


Revd. Yuba e Dom Prado,
estudantes do Seminário em São Paulo, ainda no início dos anos 60

17 maio 2007

Páscoa VII - 20 de Maio de 2007

Atos dos Apóstolos 16.16-34
Salmo 97
Apocalipse 22.12-14, 16-17, 20-21
São João 17.20-26

Que espécie de reino será?
Será um reino onde, segundo a oração de Jesus, o nome de Deus é sempre santificado, sua vontade é feita na terra, os seres humanos terão tudo em abundância, todo mal será perdoado, e todo pecado será vencido.
Será um reino segundo as promessas de Jesus, onde os pobres, os famintos, os que choram e são desprezados... finalmente não mais estarão abandonados e distantes; onde a dor, o sofrimento e a morte terão um fim.
Será um reino que não pode ser descrito, mas só se tornará conhecido por metáforas: como nova aliança, semente que germina, colheita madura, grande banquete, festa real.
Será portanto um reino - justamente como os profetas anunciaram - de retidão absoluta, de liberdade inquebrantável, de amor persistente, de reconciliação universal, de paz sempiterna. Neste sentido, será tempo da salvação, da plenitude, da consumação, da presença de Deus: o futuro absoluto.
Hans Küng, On Being a Christian


O Beijo de Judas, de Giotto - detalhe
O Que é Meu é Teu

A única forma sob a qual mundo reconhecerá a missão de Jesus é a da unidade de sua Igreja. Mas a unidade da Igreja deve traduzir-se em vida de comunidade real. Jesus falou da unidade absoluta entre o Pai e Ele próprio. Sua oração por nós é a de que devemos ser simplesmente unidos. (São João17.21-22). Poderia ainda existir entre nós - teu e meu? Não. O que é meu é teu e o que é teu é meu. No Espírito da Igreja, tudo o que temos pertence a todos. Primeiro, e acima de tudo, temos comunidade nos valores mais profundos da vida comum. Mas partilhando dos tesouros do Espírito, que são os maiores, como podemos recusar o mesmo nas coisas menores?
Eberhard Arnold, God's Revolution: Justice, Community and the Kingdom

11 maio 2007

Páscoa VI - Domingo de Rogações - 13 de Maio de 2007

Atos 16.9-15
Salmo 67
Apocalipse 21.1; 21:22-22-5
São João 5.1-9
Um lugar para você
Na noite passada havia trovões e relâmpagos: hoje tudo está bonito. As folhas da árvore no cemitério são pequenas e as flores cobrem os ramos como com laços verdes. Ouço a roda do engenho trabalhando: só isso, e os pássaros cantando.
Amanhã é a Ascensão, meu festival favorito. Em nenhum outro momento do ano consigo ouvir as antífonas do Dia da Ascensão soando em meus ouvidos e elas me enchem de luz e paz. "Vou preparar um lugar para vocês".
É a festa do silêncio e da solitude interior, quando somos erguidos para viver no céu com Jesus; pois Ele nos toma, após ter vivido por um pouco aqui conosco.
Esta é a graça do Dia da Ascensão: ser levantado ao céu de nossas almas, o ponto de contato imediato com Deus. Para descansar neste cume quieto, na escuridão ao redor de Deus. Aí viver através de todos as tentações e todas as adversidades com - o Deus tranquilo que faz tranquilas todas as coisas.
Seja Deus comigo neste dia e para sempre.
Thomas Merton, The Sign of Jonas
A Ascensão, Jacques de Voragine, 1370
Figuras de Deus - Dominique Ponnau - UNESP


GRAÇA

A Graça nos surpreende quando estamos em grande dor ou fatiga. Ela nos envolve quando andamos pelo vale escuro da falta de sentido e da vida vazia. Ela nos encontra quando sentimos que nossa separação é maior que o usual, seja porque violamos uma outra vida, uma vida a qual amávamos, ou da qual estávamos alheios. Ela nos surpreende quando nos desgostamos conosco mesmos, nossa indiferença, nossa fraqueza, nossa hostilidade, e quando nossa falta de direção ou compostura se tornaram intoleráveis para nós mesmos. Ela nos vem quando, ano após ano, o longo anseio de perfeição pela vida não aparece, quando a antiga compulsão reina em nós como durante décadas, quando o desespero destroi toda alegria e coragem. Por vezes, nestes momentos, uma onda de luz irrompe na escuridão e é como se uma voz nos dissesse: você é aceito. Vocâ é aceito, aceito por algo que é maior que você e, cujo nome você desconhece. Não pergunte pelo nome agora; talvez você o encontre mais tarde. Não tente coisa alguma agora; talvez mais tarde você faça bem mais. Não procure por coisa alguma agora; não planeje coisa alguma. Simplesmente aceite que você é aceito!
Se isto acontece conosco, experimentamos a graça. Após tal experiência podemos não ser melhores que antes, ou mesmo crer mais que no passado. Mas tudo é transformado. Naquele momento, a graça conquista o pecado, e a reconciliação transpõe o abismo da alienação. Nada nos é exigido desta experiência, nenhuma proposição religiosa, moral ou intelectual, nada.. a não ser aceitação.
Paul Tillich, The Shaking of the Foundations

03 maio 2007

Páscoa V - 6 de Maio de 2007

Atos 11.1-18
Salmo 148
Apocalipse 21.1-6
São João 13.31-35


Cafarnaum - visão geral da Sinagoga e assentos laterais
Franciscan Printing Press - Jerusalem
Amando as pessoas como elas são
Quando nossos corações se libertam de julgar as pessoas meramente segundo seus dons naturais, não mais somos cativos de encantos externos e mutáveis. Antes, nos tornamos livres para amar as pessoas tais quais são, podendo entrar mais facilmente no centro de suas personalidades, sua verdadeira bondade.
Quando amamos desta forma, nosso afeto é altruista e agrada a Deus.
Quanto mais esta espécie de amor crescer, mais crescerá também nosso amor a Deus; e quanto mais profundo for nosso amor por Ele, mais amaremos também nosso próximo, já que o princípio para ambos é o mesmo.
Um grande benefício advindo desta forma de amar é que ela promove grandeza de coração, o que é necessário no serviço de Deus, já que é liberdade interior. Com ela, as tentações contra o amor são facilmente vencidas, tornando-nos capazes de perverar pacificamente em tudo, e em nós as virtudes crescerão e florescerão.
São João da Cruz, The Ascent of Mount Carmel


Os peregrinos de Emaús, Zurbarán 1639
Figuras de Deus - Dominque Ponnau - UNESP

MISTÉRIO

O sentido das coisas, e seu propósito,
estão agora em parte ocultos
mas no final serão aclarados.
A escolha é entre
o Mistério e o absurdo.
Abraçar o Mistério
é descobrir o real.
É caminhar na direção da luz,
entrever a estrela da madrugada, avistar
de tempos em tempos
o que é verdadeiramente real
não passa de um piscar da luz
através da nuvem do desconhecido,
um tênue raio de luz
mensageiro do sol, escondido do olhar.
Vê-se a luz mas não o sol.
Olhando, no entanto, mais de perto,
vemos mais sentido
na escuridão que nos cerca.
Os olhos começarão a discernir
o aspecto das coisas e das pessoas ao redor.
Começaremos e nelas ver
a presença dAquele
que nos alcança sentido e propósito,
e veremos também que é Ele
a explicação de tudo.
Arcebispo Basil Hume, The Mystery of the Incarnation

25 abril 2007

Páscoa IV - 29 de Abril de 2007

Atos 9. 36-43
Salmo 23
Apocalipse 7.9-17
São João 10.22-30
A Esperança acorda a Vida
Quando a esperança acorda, toda uma vida acorda com ela. Chega-se plenamente à vida. Parece mesmo que nem se havia vivido até então. Acordamos para uma vida que é eterna em seu prospecto, a vida que abre diante de nós o caminho todo da morte e mais além, uma vida que parece resistir à morte e sobreviver. Onde quer que a esperança ressurja, a vida ressurge também. Quando entramos na aventura espiritual, a esperança aparece onde antes não havia esperança alguma, onde somente havia uma existência de - desespero quieto - e a vida surge aí também, a vida da aventura espiritual, com o sentido de se estar em uma jornada no tempo. Há algo pelo qual viver onde antes nada havia. Contudo, isso se mostra não ser o bastante. O coração de alguém pode ser aceso e ainda persistir um resíduo de trevas, intocado. O resto que está escuro somente é alcançado quando se descobre uma vida nova e desconhecida em outra pessoa. Quando um encontra o outro, uma nova esperança aparece e parece afirmar-se como ter alguém por quem viver... mas esta esperança é desapontada. O canto escuro no coração foi aquecido mas não aceso - a ponto de fogo - a partir do qual vai queimar por si mesmo. Só se alcança o - ponto de combustão - quando morremos acordados - quando descobrimos uma vida que é capaz de viver através da morte e da perda. Quando a esperança de viver através mesmo da morte surge, parece a vida que sempre se esperou, pois esta é a vida de que se fala nas palavras da promessa - quem vive e crê em mim jamais morrerá eternamente.
John S, Dunne, The Reasons of the Heart
Piero della Francesca, Ressurreição, cerca de 1458,
Sansepolcro, Museu Cívico,
Figuras de Deus - Dominique Ponnau - UNESP
Não gerentes... somente!
Aconteceu ter encontrado na rua em Nova Iorque, com o rabino Dr. Abraão Heschel, proeminente rabino judeu. Segui com ele até em casa e passamos algumas horas juntos. Ele pediu desculpas por seu mau humor naquele dia - uma espécie de peso no coração que parecia não conseguir dissipar.

"O que o fez tão triste, rabino?" Perguntei.

"Minha oração da manhã", respondeu ele.

"Sobre o que o Sr. estava rezando?' Indaguei outra vez.

"O Concílio da sua Igreja", disse ele.

"Porque nosso Concílio o preocupa tanto?"


E o rabino respondeu com outra pergunta: "... quantos dos seus bispos ou outros clérigos, reunidos em Concílio, são mesmo contemplativos?" Então, eu é que fiquei triste!

O rabino estava mais que certo ao vincular o sucesso do Concílio não à habilidade gerencial de bispos ou na inteligência dos teólogos, mas na questão de se saber se os pastores do rebanho eram mesmo ou não... homens de Cristo, governados pelos dons do Santo Espírito, em contato direto com o Deus Vivo, como ele próprio rabino, buscava estar.

William McNamara, The Human Adventure: The Art of Contemplative Living

20 abril 2007

Páscoa III - 22 de Abril de 2007

Atos dos Apóstolos 9.1-6 (7-20)
Salmo 30
Apocalipse 5.11-14
São João 21.1-19
A Madrugada Pascal
A surpreendente extravagância de Deus
chama frágeis ossos a se erguerem
e corações de pedra a se elevarem.
Mulheres idosas dançam dentre as estrelas.
Ann Weems, Kneeling in Jerusalem
A Ressurreição de Cristo, Mestre de Vyssi Brod
cerca de 1350, Praga
Figuras de Deus - Dominique Ponnau - UNESP
Uma Escolha Difícil

A dificuldade da conversão consiste na dificuldade da escolha. Uma escolha deve ser acontecer para ingressar na vida e para também partilhar na busca dos outros por vida.

Mesmo que a conversão seja matéria de escolha, tem consigo também o conflito. Quando alguém se opõe a certo posicionamento sócio-econômico, uma ruptura é inevitável se é que uma conversão ocorrerá. Gustavo Gutierrez diz: - Desejar completar uma conversão, sem conflito, é iludir-se a si mesmo e aos outros -.

Quase todos os que escreveram sobre o assunto concordam com isto. Diz-se que a conversão deve ser radical até o ponto de - confrontar a morte para alcançar a ressurreição -. Jon Sobrino afirma que a exortação - arrependei-vos e crêde no Evangelho - tem em si um elemento de intimidação. - Agora é o tempo para uma decisão, e se abre a oportunidade da conversão... uma mudança radical na forma de existência de alguém.

A ruptura inescapável toma a forma de rejeição do presente, onde a morte trabalha ou, em outras palavras, a opressão exercida pelas condições sócio-econômicas em que estamos envolvidos. Se a conversão é o que dizemos ser - uma mudança que inexoravelmente nos impele a acelerar o processo de libertação (para que as massas tenham o direito de viver) - então o conflito é inevitável. A conversão trás consigo uma identificação dos opostos e um confronto definitivo.

A conversão é dom de Deus porque nos mostra o caminho e nos convida a entrar no mundo da liberdade, o mundo da vida. Mas ao mesmo tempo a conversão é uma tarefa humana, porque exige de nós um compromisso individual e coletivo na construção do mundo novo.
Elsa Tamez, Bible of the Oppressed

13 abril 2007

Páscoa II - 15 de Abril de 2007

Atos dos Apóstolos 5.27-32
Salmo 150
Apocalipse 1.4-8
Evangelho de São João 20.19-31
"Bem aventurados aqueles que não viram e creram. Certamente isso se refere a nós. Guardamos em nosso coração alguém a quem não vimos fisicamente. Isso se refere a nós... se de fato acompanhamos nossa fé com o testemunho. As pessoas que crêem de verdade, expressam a fé através de suas vidas."
São Gregório o Grande (540-604)
"Sem a Ressurreição, o movimento cristão teria desaprecido na ignomínia... Nem é demasiado dizer que sem a Ressurreição, o cristianismo desde a era apostólica seria cientificamente inenarrável. É verdade também dizer que sem a Ressurreição o cristianismo não conseguiria ser o que é para si mesmo, já que a distintividade do cristianismo não consiste numa adesão ao mestre que viveu muito tempo atrás - mas na fé em que - Jesus é Senhor - em cada geração, ao longo dos séculos.
A Ressurreição foi algo que aconteceu poucos dias após a morte de Jesus. Os apóstolos ficaram convencidos da vida de Jesus e de que Deus o ressuscitara à vida. Não é historicamente científico dizer que somente os apóstolos chegaram a compreender o sentido divino da Crucifixão, ou que a pessoa de Jesus agora os contagiava. Algo acontecera que os despertava para o sentido da Cruz, contagiando-os com a pessoa do Senhor. A evidência para este estupendo acontecimento, mencionado pelos escritores do Novo Testamento, era a sobrevivência mesma da Igreja, a aparição de Jesus com impacto visível e audível sobre os apóstolos, e a descoberta do túmulo vazio.
Os vários elementos neste cenário triplo, certamente tiveram diferentes graus e peso evidencial, para diferentes pessoas. Isto tem sido assim até os nossos dias. Quanto ao sentido: se fosse o encontro existencial com Jesus o que unicamente contasse, o túmulo vazio teria então uma significação muito pequena ou mesmo nula. Mas se Jesus tem uma significação cósmica, com efeitos cósmicos, então o túmulo vazio faz uma grande diferença, bem próxima à da própria Encarnação.
Arcebispo Michael Ramsey, Through the Year with Michael Ramsey
Ressurreição, Emil Nolde, 1911-1912
Figuras de Deus - Dominque Ponnau - UNESP

Ainda o Evangelho da Páscoa

"Então Pedro e outro discípulo foram ao túmulo." São João 20.3-8

Muito cedo na madrugada do domingo, milhares de pessoas se reúnem no espaço bem em frente da Igreja morávia, duas vezes centenária... Antes que a luz do dia apareça uma banda de instrumentos de sopro começa a tocar hinos. Então, por volta de 6 horas, quando o sol começa a surgir, os sinos do templo tocam e o bispo surge, anunciando em alta voz, Cristo ressuscitou - e a multidão responde - O Senhor verdadeiramente ressuscitou. Todos, então, cantam - Cristo, o Senhor, hoje ressuscitou - e, silenciosamente se encaminham na direção de outra área próxima ao templo. Há aí um velho cemitério, as pedras tumulares foram recentemente lavadas e estão cobertas de flores, tanto para celebrar a Ressurreição como para recordar daqueles que morreram desde a primeira Festa cristã da Páscoa. Em impressionante silêncio o povo novamente compreende que aquele que morreu na cruz é o Senhor vivo que ainda alcança vida eterna ao seu povo. Esta nova qualidade de vida inicia agora mas permanece em toda plenitude na eternidade. Isto é o que celebramos neste tempo: Um fato da história com enorme relevância para todos os tempos.

Os escritores do Evangelho deixam bem claro que o túmulo estava vazio. Este foi um ato fenomenal de Deus. Na medida em que a realidade desta verdade amanhece, ainda tímida, discípulos medrosos são transformados. Eles também, bem que poderiam ter sido crucificados, dada sua associação com um homem acusado como traidor. Mas eles então são transformados em pregadores dinâmicos da fé na Ressurreição. Estavam, em verdade, tão convencidos disto que até morreriam como mártires - antes de negarem a realidade do Senhor vivo."

Peter Graves, Letters to the Seven Churches

07 abril 2007

Domingo da Páscoa da Ressurreição - 8 de Abril de 2007

Atos dos Apóstolos 10.34-43
Salmo 118.1-2, 14-24
I Carta aos Coríntios 15.19-26
Evangelho de São João 20.1-18
Conhecendo e Amando
"Hoje escutamos o relato do encontro entre Jesus e Maria de Magdala, duas pessoas que se amavam. Este relato simples e comovente me leva a lembrar tanto o medo como o desejo de ser conhecido. Quando Jesus chama Maria pelo nome, Ele simplesmente fala palavras que todos os que a conheciam também usavam, já que seu nome era o seu ser inteiro. Jesus conhece Maria de Magdala. Ele conhece sua história: seu pecado e sua virtude, seus medos e seu amor, sua angústia e sua esperança. Ele conhece cada porção de seu coração. Nada há nela que lhe seja oculto. Ele a conhece até mais íntima e profundamente do que ela mesma se conhece. Assim, ao pronunciar seu nome, Ele suscita um evento profundo. Maria, subitamente compreende que Aquele que verdadeiramente a conhece, verdadeiramente também a ama.
Maria sente-se, ao mesmo tempo, plenamente conhecida e plenamente amada. A divisão entre o que ela sente como segura em revelar e aquilo que ela não ousaria mostrar, não mais existe. Ela é plenamente vista e sabe que os olhos que a vêem são os olhos do perdão, da misericórdia, do amor e da aceitação incondicional."
Henry J. M. Nouwen, The Road to Daybreak: A Spiritual Journey
A Ressurreição de Cristo (detalhe), cerca de 1350, Mestre de Vyssi Brod,
Praga - Figuras de Deus - Dominque Ponnau - UNESP

Sábado Santo, véspera da Páscoa

"Neste dia - véspera da Páscoa - como o Livro de oração Comum o chama - tem um vazio, um sentimento morto está suspenso sobre ele: suspenso entre a tragédia da Crucifixão e o triunfo da Ressurreição. É um dia em que os cristãos devem ficar em casa. A semana que termina foi quase que demais, e o que ontem aconteceu foi o fim de nossas esperanças - ou, pelo menos, assim parece. Ele desceu ao Inferno... não exatamente o lugar de punição eterna; mais como um Limbo, ou como a antiga palavra hebraica Sheol, onde as almas daqueles que morreram antes de Cristo dormem inquietas, aguardando por Sua vinda para julgá-las. Um amigo sugeriu a lembrança da cena dramática da chegada de Judas Iscariotes enforcado - encontrando os portões completamente abertos, e o Senhor a quem ele traíra, confrontando-o. Judas, dentre todos os discípulos, o primeiro a conhecer a verdade de fato..."
Gerald Priestland, Gerald Priestland at Large

30 março 2007

Domingo da Paixão - 1 de Abril de 2007

Êxodo 12.1-4 (5-10) 11-14
Salmo 116.1-2, 12-19
I Coríntios 11.23-26
São João 13.1-17, 31b-35
Vida Partilhada
A vida que partilhamos com Deus... é a vida das pessoas em relacionamentos. Cristo proclama este fato na revelação da sua própria presença; pois onde o Cristo está, há relações entre pessoas, uma comunidade de Amor. Pode-se dizer que os princípios segundo os quais a Eucaristia se funda constituem a estrutura subjacente da personalidade mesma, pois correspondem à ação de auto-doação através da qual o indivíduo se torna pessoa, movendo-se do isolamento à vida da comunidade. A ação do abandono do eu em favor do outro, é este glorioso movimento primeiro - original e inevitável... quando acontece em Deus, pois é expressão da Sua alegria... na alegria do Seu ser. Ao mesmo tempo, é algo difícil e terrível para mulheres e homens, como o foi para o Filho, o qual tomou nossa natureza sobre si mesmo - o que é eternamente oferecido na Eucaristia. Isto nos é apresentado não como idéia ou proposição, mas como evento vivo em que somos, nós mesmos, envolvidos profunda e essencialmente: um fato, o fato, de nossa vida comum.
Roger Grainger, The Message of the Rite:
The Significance of the Christian Rites of Passage
Figuras de Deus - Dominque Ponnau - UNESP

"Imitemos aqueles que saíram para encontrar Jesus, não espalhando ramos de oliveiras, vestes ou palmas em seu caminho, mas derramando-nos a nós mesmos diante dEle, da melhor forma que nos for possível, com humildade de alma e reto propósito."
André de Creta (660-740)

A Mente de Cristo

A exortação a que soframos semelhantemente ao Cristo na expectativa da salvação futura foi muito usada para admoestar mulheres e escravos... para que se submetessem a esposos e mestres abusivos. Cristãos, crentes em que este mundo brevemente desaparacerá usam desta idéia de recompensa de sofrer como Cristo, como desculpa por falharem contra a injustiça neste mundo. Eles esquecem que o hino (Filipenses 2.5-11) inicia não com o Cristo sofredor mas com o Cristo que é igual a Deus. Os pobres na América Latina a quem se diz que devem sofrer como o Cristo... mais do que lutar por liberdade, ou às mulheres agredidas, tendo clérigos que as aconselham... submetam-se aos seus maridos, não estão em posição de imitar o Cristo deste hino. O desafio é todo dirigido à pessoas com status e poder, assim como Cristo, tendo o status de Deus. Para pregar o Evangelho centrado numa pessoa crucificada, e que traz consigo também a perseguição, estas pessoas precisam se esvaziar de si mesmas.
Pheme Perkins, Filipenses - Women's Bible Commentary

23 março 2007

Quaresma IV - 25 de Março de 2007

Profecia de Isaías 43.16-21
Salmo 126
Carta aos Filipenses 3.4b-14
Evangelho de São João 12.1-8

A Bondade de Deus

Isaías alcança ao seu povo um dom admirável. Ele lhes devolve a fé através da rearticulação de uma antiga história. Ele lhes dá a capacidade linguística para confrontar o desespero em vez de deixar-se abater por ele. E o profeta cria um novo solo... sobre o qual uma nova humanidade é possível. O cínico poderia argumentar que, em verdade, nada mudou, se é que a queda de imperios é alguma coisa e, assim sendo, deveria então ocorrer imediatamente. Mas os profetas não são mágicos. Sua arte e chamamento se dão com palavras que evocam alternativas. De qualquer forma, reformas superficiais não vencem o desespero. Isto somente acontecerá com o reconhecimento de que a vida não nos foi plenamente consignada e que há um Outro que reservou para si uma liberdade soberana de nós e por nós. Ele trabalha livre de nós e livre de Babilônia. A bondade de Deus toma a forma da libertação dos exilados. É assim que Gerhard von Rad aclara em um dos textos mais admiráveis... que não devemos falar enquanto não decidimos se confiamos mesmo ou não.

Não vos lembreis das coisas passadas,
nem considereis as antigas.
Eis que faço coisa nova, que está saindo à luz;
porventura não o percebeis? (Isaías 43.18-19)

Os desconsolados dificilmente podem crer que tal coisa possa ser dita. Mas é certo que eles não terão alegria pessoal, justiça pública, arrependimento incorporado e humanidade familiar, até que a comunidade receba uma novidade que ela por si mesma não pode gerar.
Walter Bruegmann, The Prophetic Imagination

O batismo de Cristo - Figuras de Deus, Dominique Ponnau - UNESP


Oração

Jesus é ungido em Betânia. Eu mesmo estou presente nesta companhia hoje. Com Marta, desejo servir-te; com Lázaro, sentar-se à mesa contigo; com Maria, ajoelhar aos teus pés em preciosa devoção. Seria verdade que, com Judas, eu também descubra dentro de mim um espírito amargo de crítica, de sarcasmo e, por vezes, de cinismo, para com os outros e para comigo mesmo? Arranca, Senhor, de dentro de minha alma, todo processo de deterioração e corrupção, pois compreendo que somente pela tua graça pode esta libertação ser efetuada, e eu quero mesmo repousar nesta graça no dia de hoje.
Ir. Ramon, When They Crucified My Lord

16 março 2007

Quaresma IV - 18 de Março de 2007

Josué 5.9-12
Salmo 32
II Carta aos Coríntios 5.16-21
São Lucas 15.1-13, 11b-32

A Beirada do Caos

Deveria existir uma resposta para tudo, cremos; deveria ser possível construir um mundo melhor. Não funcionou.
Administração e supervisão estão desabando em toda parte. A nova ordem mundial, parece, terminará em desordem. Não podemos fazer as coisas acontecerem como queremos, seja em casa, no trabalho ou no governo e, muito menos, certamente, no mundo todo. Há agora, é claro, limites à arrumação. Pensávamos que o capitalismo fosse a resposta, mas os famintos e os sem teto não estão muito certos disso.
Os cientistas chamam esta espécie de tempo de ... beirada do caos, tempo de turbulência e criatividade. Dai, uma nova ordem deve surgir. A primeira célula viva emergiu há quatro milhões de anos de uma sopa primordial de moléculas simples e aminoácidos. Ninguém sabe porque ou como. Desde o começo, o universo teve uma tendência inexorável para desabar, degenerar em anarquia e queda. Mesmo assim, a partir da desordem, conseguiu produzir uma incrível diversidade de criaturas viventes, plantas e bactérias, assim como estrelas e planetas. Vida nova está sempre surgindoa partir da degeneração e da desordem do que era antigo.
No Instituto Santa Fé, onde um grupo de cientistas estuda este fenômeno, eles o chamam de - teoria da complexidade. Crêem eles que suas idéias têm tanta relevância quanto o preço do petróleo, as relações raciais, o mercado de ações e a própria Física. Em seu livro sobre - Complexidade, Michael Waldrob descreve a margem do caos como o local onde um sistema complexo pode ser espontâneo, adaptável e vivo. É desconfortável se estivermos em meio a ele, tal como muitas de nossas instituições sociais estão agora.
Charles Handy, The Empty Raincoat

Conferência Internacional na África do Sul

A Comunhão Anglicana tomou a iniciativa de realizar a Conferência Internacional sobre o Testemunho Profético, Desenvolvimento Social e AIDS / HIV. O evento ocorreu em Boskburg, Joanesburgo, África do Sul, de 7 até 14 de Março. Perto de 400 Anglicanos de quase todas as Províncias do mundo ali trabalharam para afirmar nosso ministério e testemunho diante das dores da família humana planetária. Do ponto de vista da abordagem de Justiça e Paz, um foco muito forte foi reafirmado na seriedade dos Alvos de Desenvolvimento do Milênio, propostos pelas Nações Unidas e endossados como parte de nossa vocação diante do empobrecimento, dos conflitos armados e das doenças, como AIDS/HIV, tuberculose, malária, saúde materna e infantil, subnutrição e violência de toda espécie. Até o prazo máximo de 07/07/2007 cada Província Anglicana deverá apresentar seu projeto de ação e prazos de alcance. A Comunhão como um todo deverá monitorar tal processo, sempre iniciando a partir da base paroquial. A Missão da Igreja não pode ignorar a realidade que nos desafia, dentro e fora dos templos. Enquanto um só ser humano for vilipendiado pela miséria, pela doença e violência, nossa vocação como cristãos permanece enferma. Como disse o Arcebispo Rowan Williams, como um coral, devemos cantar juntos e à uma mesma voz, sem "saliências" ou esquecendo irmãs e irmãos que não conseguem cantar. Enquanto for assim, nosso canto estará errado aos olhos de Deus.

Alguns dos representantes da Igreja na China (mainland), Rev. Deng Fu-Cun, Shanghai (ao centro) e Sra Chen
Meilin, Conferência Chinesa sobre Religião e Paz. O clérigo ao lado esquerdo, também Chinês, trabalha em Madagascar.




Cônego Brian Grieves, do Comitê Central da Comissão de Justiça e Paz apresenta sua palestra sobre o papel da Igreja no esforço da construção da Paz.





Como membro da Comissão Central de Justiça e Paz, o Deão do SETEK encaminhou com pessoas decisivas a continuidade da presença de estudantes Africanos de fala portuguesa no SETEK ...(Angola e Moçambique) como também um início de cooperação com o Seminário de fala francesa em Porto Príncipe, Haiti. Na foto, a nova presidente da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, Bispa Schori, o Revdo. Frantz Celto (Haiti) e o Dom Marck Van Koevering, da Diocese de Niassa. Todos, interessados em que o SETEK possa ampliar este alcance e serviço à Educação Teológica, seja no Curso à Distância ou no sistema Frequencial.



O Secretário Geral da Comunhão Anglicana, Cônego Kearon, trabalhou com os membros da Comissão de Justiça e Paz. Ao seu lado, a nova representante Anglicana nas Nações Unidas, Sra. Hellen Wangusa.


Dois outros membros da Comissão de Justiça e Paz, representando as Provincias da Coréia do Sul e a Deã do St John's Collega, Auckland, Nova Zelândia, Dra Jenny Te Paa


Comissão Internacional Anglicana de Justiça e Paz: o Secretário e Coordenador Revdo. Cônego Brain Grieves, de Nova Iorque e Jessica Nalwoga, de Uganda. Como membro desta Comissão o Deão do SETEK participou da Conferência ao lado dos demais membros do Comitê Central da mesma.


Representação de Hong Kong: Rev. Desmond Cox e Elijah Fung, pela Coalização de Serviço pelos Infectados e Afetados por AIDS - Igreja Anglicana da Provincia de Hong Kong

Vista parcial do plenário da Conferência

Oração por um Juizo Acertado... em todas as coisas.

Cristo nosso amigo,
não vieste para humilhar o pecador
mas para perturbar o justo.
Acolhe-nos quando somos envergonhados,
desafiando nosso convencimento,
e que realmente retornemos do que é ruim
e então sejamos livres até de nossas virtudes,
em Teu Nome. Amém.

09 março 2007

Quaresma III - 11 de Março de 2007

Profecia de Isaías 55.1-9
Salmo 63.1-8
I Carta aos Coríntios 10.1-13
São Lucas 13.1-9

Dá-nos humildade, ó Pai, para ver tua glória refletida nos outros, e nos alegremos quando os outros a percebem também em nós. Amém.

A Alegria Habita com Deus

A alegria pertence não só àqueles que foram chamados de volta para casa, mas também aos que vivem aqui, e ninguém pode tirá-la de nós. Somos um com eles nesta alegria, jamais em tristeza. Como poderemos ser capazes de ajudar aqueles que ficaram sem alegria e estão temerosos, a menos que nós mesmos sejamos amparados pela coragem e pela alegria? Não quero dizer com isto algo fabricado, imposto, mas livremente dado. A alegria habita em Deus; ela dele procede, envolvendo o espírito, a alma e o corpo, e onde esta alegria abraça, alguém, ela cresce, conduz e abre portas fechadas. Há uma alegria que nada sabe da tristeza, da necessidade e ansiedade do coração;ela não tem duração e somente enleva pelo momento. A alegria de Deus passou pela pobreza do estábulo e a amargura da cruz; ela é, portanto, insuperável, irrefutável. Ela não nega a dor aí onde a dor está, mas acha Deus em sue meio, na verdade, precisamente aí; ela não contesta o pecado mais vil, mas descobre o perdão justamente desta forma; ela olha a morte na face; e encontra a vida na morte mesma.
Dietrich Bonhoeffer, True Patriotism





"O ritmo de atividade e oração que Jesus modela é muito importante para nós, e seu comprometimento com a oração em meio à tantas exigências é uma inspiração para nós todos."

Ir. Helen Juliana, CSF

03 março 2007

Quaresma II - 4 de Março de 2007

Gênesis 15.1-12, 17-18
Salmo 27
Carta aos Filipenses 3.17 - 4.1
São Lucas 13.31-35

Ajuda-nos, ó Pai, a servir-te não na letra mas no Espírito. Amém.

Pathos

Santa Teresa do Menino Jesus conta como, um dia, ao deparar-se com uma galinha e sua ninhada de pintinhos, comoveu-se e chorou. Aquela imagem tão familiar recordou-a de quão íntimo e completo é o amor de Jesus por nós, juntando-nos à Ele. As palavras de Jesus retornaram intensamente à vida, para ela, naquele momento.
"Jerusalém, Jerusalém ! Que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados ! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes !" (São Mateus 23.37)
Quantas imagens profundas e consoladores nos são comunicadas pela imagem familiar da galinha e sua ninhada de pintinhos ! O amor de Jesus é absolutamente envolvente. Santo Agostinho diz que não há outro pássaro que comunique tão completamente esta idéia do cuidado totalmente envolvente. As asas da galinha reúnem todos os pintinhos até que estejam completamente cobertos. Este é alcance do amor de Jesus por seu rebanho inteiro.
A postura inclusiva da galinha é constantemente repetida - uma inclusão sem limites. Quão frequentemente Jesus estende seus braços em um abraço universal; no entanto, quão frequentement também seu gesto é rejeitado !
São João Crisóstomo descreve o pathos deste momente. "Mesmo a agressão e morte aos profetas não poderia desviar meu amor de vocês. E, não uma só vez, mas sempre, Ele mostra a grandeza de seu amor pela da imagem da galinha."
John Moloney, The Time is Now: Thoughts for the Day





Abertura do Ano Letivo do SETEK - 2007
Recebemos 3 novos jovens alunos da Diocese Sul-Ocidental
O dia iniciou com devocional pelo Deão, seguido de reunião com a Direção e alunos. A Coordenadora Acadêmica, Profa. Vera S. de Oliveira fez a apresentação do calendário, carga horária e disciplinas a serem trabalhados pelas diferentes turmas. Ao final da manhã, a Santa Eucaristia foi celebrada por D. Orlando S. de Oliveira. O segundo dia de trabalho foi coordenado, como integração, pelo professor Revdo. Dr Humberto Maiztegui Gonçalves, Diretor de Estudos do SETEK


Teologia ?
"Não podemos ter uma teologia na qual os seres humanos, sejam eles apóstolos ou cristãos leigos, simplesmente decidem onde agirão - no mapa de Deus - e tentarão, então fazer, por Deus, alguma coisa... por suas próprias forças. O que temos ´e uma teologia da vocação e da capacitação - uma teologia, em outras palavras, do Santo Espírito."

Tom Wright, Reflecting the Glory




23 fevereiro 2007

Quaresma I - 25 de Fevereiro de 2007

Deuteronômio 26.1-11
Salmo 91.1-2, 9-16
Carta aos Romanos 10.8b-13
São Lucas 4.1-13
"Hipócritas somos: mas estamos a caminho da libertação mesmo de nossa hipocrisia."
Charles Elli0tt

The Elizabeth Hoare Collection in Liverpool Cathedral

O Sentido do Jejum

A oração mais penetrante e profunda que todos nós podemos fazer ... é possível quando ingerimos a refeição. Simplesmente comer, é já reconhecer - se é que somos suficientemente humildes para tanto - nossa absoluta dependência.

O problema é que no Ocidente, algo assustador aconteceu com respeito à nossa atitude para com a alimentação. Por todos os tipos de razões, econômicas e outras, nosso apetite por comida foi grosseiramente exagerado. Como resultado, muitos de nós, consumimos com enorme exagero.

Creio que há três níveis nos quais devemos enfrentar o problema.

No primeiro nível, devo sintonizar, de forma muito mais paciente e atenta, com aquilo que meu corpo está a dizer sobre sua fome ou inapetência. Ao longo dos anos desenvolvi o truque de usar a comida para alcançar outros propósitos, além do suprimento das necessidades físicas - por exemplo, para me tranquilizar quando estou ansiosa, alegrar-me quando estou abatida ou entusiasmar-me ainda mais, quando já estou contente. No fim, é difícil dizer se estou com fome ou não, é difícil quebrar com a cadeia - automática - de comer em momentos regulares.

O nível seguinte consiste no que nós realmente - praticamos - no tocante à reforma de nossos hábitos alimentares. Recentemente decidi que quero alterar significativamente minhas idéias sobre alimentação, sem modismos típicos da mentalidade do emagrecimento e também vencer o que há de criancice dentro de mim, e que me torna rebelde diante de qualquer disciplina razoável de alimentação; começo, acima de tudo, com o entendimento daquilo que meu corpo efetivamente - necessita - em termos de nutrição mas, ao mesmo tempo, respeitando aquilo de que ele - gosta.

O terceiro nível em que devemos cuidar da alimentação... é o nível político. O que precisa ser redimida aqui é a indiferença, o cinismo e o consumo cego que afetam, de um lado, milhões de famintos... e também revisar a forma como os alimentos são preparados, comercializados, e anunciados. Nesta área, como em outras, nossa necessidade de aprender a amar a matéria é parte de nosso - equipamento - de sobrevivência.

Jejuar é aprender a amar e apreciar a alimentação, e nossa boa sorte em tê-la.

Mônica Furlong, The Church Times - 4 de Março de 1983

16 fevereiro 2007

Epifania, último Domingo - 18 de Fevereiro de 2007

Êxodo 34.29-35
Salmo 99
II Coríntios 3.12- 4.2
São Lucas 9.28-36 (37-43)

Transfiguração

A luz da Transfiguração brilha no templo e, com esta luz, podemos entrever também muitas sombras - pois, por tantas vezes, a Igreja segue o mundo, naquilo em que a glória pertence... não à conduta altruísta, mas na ambição mais mesquinha - e ela, sobre a qual paira o manto da autoridade de Cristo, se deixa levar pela divisão de autoridades conflitantes.
Este domingo nos recorda de que somos a Igreja e quão urgente a tarefa da oração permanece ... para que aprendamos o que contribui para a verdadeira glória - uma vida de amor sem egoísmos, em obediência à autoridade do Senhor Jesus Cristo.
Neste domingo, precisamos ir adiante e olhar para nosso mundo... e vê-lo, o mundo de Deus, à luz da Transfiguração de Cristo. Neste dia, na Festa mesma da Transfiguração do Senhor (6 de Agosto), no ano de 1945, uma luz tremenda - brilhou - sobre a cidade de Hiroshima - uma luz aompanhada pela exposição da população normalmente distraída, ao choque da radiação daquela primeira (e maldita) explosão nuclear. Por mais que a bomba possa ser explicada - estrategicamente - e politicamente - ela deve ser vista como um julgamento, não sobre suas vítimas - mas sobre o resto da humanidade inteira - sob aquela luz, bem podemos ver a dignidade dos valores humanos."
Irmão Anselmo,
Homilia pregada em St. Bene't's Church, Cambridge



Os três reis - Hey

Transição para a Quaresma

"Ó Senhor, suplicamos-te que nos livres do temor do futuro desconhecido; do medo do fracasso; do medo da pobreza; do medo do luto, do medo da solidão; do medo da doença e da dor. do medo da idade, e do medo da morte. Ajuda-nos, ó Pai, pela tua graça e amar e temer somente a Ti, enche nossos corações com coragem e amorosa confiança em Ti; por Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor."
D. Desmond Tutu, An African Prayer Book

11 fevereiro 2007

Epifania VI - 11 de Fevereiro de 2007

Profecia de Jeremias 17.5-10
Salmo 1
I Carta aos Coríntios 15. 12-20
Evangelho de São Lucas 6. 17-26

Memória Perigosa

A visão de Jesus atravessou os sistemas externos até o ansioso coração humano que jaz sob eles - e clamou por transformação à perfeição do amor. A impossibilidade da visão e sua desesperança escatológica, são o que há de mais impactante a respeito disto... A Igreja existe para preservar a memória perigosa do homem que nos advertiu contra o poder idólatra... que coloca sua própria sobrevivência antes da misericórdia e da verdade... mas ela, desde há muito tempo, como que desistiu de submeter-se à sublime impossibilidade da Sua visão.
D. Richard Holloway, Doubts and Loves: What is Left of Christianity

Natividade com a sarça ardente, Albert Herbert

O Mundo dos Pobres
Além de qualquer dúvida, a vida do pobre é marcada pela fome e pela exploração, cuidado médico inadequado, ausência de habitação digna, dificuldade em alcançar alguma educação, salários injustos e desemprego, lutas por seus direitos e também repressão. Ma não é tudo. Ser pobre é também uma forma de sentir, conhecer, pensar, fazer amigos, amar, crer, sofrer, celebrar e rezar.
O pobre constitui um mundo em si mesmo. Compromisso com o pobre significa entrar e, por vezes permanecer neste universo, com uma consciência muito mais clara; significa ser um dos seus habitantes, olhando para ele como local de residência e não só de trabalho. Não significa ir a este mundo pontualmente, para testemunhar o Evangelho, mas antes, dele emergir, cada manhã, com o propósito de proclamar as boas novas a todo ser humano...
Vemos com clareza crescente que se exige uma imensa dose de humildade para que as pessoas se comprometam com os pobres dos nossos dias. Neste esforço, experimentamos o que Luis Espinal traduziu em oração, onde procura expressar o mistério da vida:
Senhor, um fiozinho de humildade já é penetrante. Não somos o eixo da vida, como nosso egocentrismo falsamente nos faz clamar... Viajamos através da vida como cegos; nós não escolhemos a vida antes de nela embarcar, nem sabemos o dia em que dela partiremos... A vida é maior que nós, e teus cominhos se estendem muito além do horizonte de nossa visão.
Gustavo Gutierrez,
We drink from Our Own Wells: The Spiritual Journey of a People

01 fevereiro 2007

Epifania V - 4 de Fevereiro de 2007

Profecia de Isaías 6.1-8 (9-13)
Salmo 138
I Carta aos Coríntios 15.1-11
Evangelho de São Lucas 5.1-11
A Oração de Louvor
"Uma forma de oração que pode ajudar, tornando mais real a presença do Salvador Ressuscitado em sua vida, provendo um sentido mais seguro de estar sendo sustentado e cercado pela providência amorosa de Deus, é a Oração de Louvor. Ela pode prover grande paz e alegria. Esta forma simples de oração consiste em agradecer e louvar a Deus por tudo, o que quer que seja, em sua vida. Sua base é a certeza de que nada acontece que não seja, ou não possa ser, apontado para a glória de Deus - absolutamente nada, nem mesmo seus pecados - nem mesmo a morte de nosso Senhor Jesus Cristo.
Ao se arrepender, louve a Deus, mesmo por seus pecados, porque Ele retirará, destes mesmos pecados, um grande bem. São Paulo encoraja seus discípulos, os romanos, como segue: - Onde aumentou o pecado, a graça de Deus aumentou muito mais ainda. E continuou: Portanto, que é que vamos dizer? Que devemos continuar a viver no pecado, para que a graça de Deus cresça ainda mais? (Carta aos Romanos 5.20 e 6.1)
Dando graças a Deus por seus pecados e sua libertação, você poderá aprender a louvar a Deus... por causa deles. Pedro certamente arrependeu-se de sua negação... e por sua fraqueza em servir como fonte de ajuda a Jesus, no caminho até o Calvário.
Frequentemente, pessoas carregam pela vida inteira um fardo de culpa nos corações pelos pecados que cometeram. Mesmo convencidas do perdão de Deus, muitas se sentem incapazes de deixar para trás o sentimento de culpa. Se você consegue expressar, de coração, ações de graças e louvor a Deus por ter pecado, você sentirá também que tudo está nas mãos de Deus, e que seus esforços frutificarão."
James W. Skehan, Place Me With Your Son, em Everyday Life, Georgetown University Press, 1991


Fuga para o Egito, Gentileschi (1563-1647)


"Não gosto de falar com Deus como se Ele fosse um jumento sonolento... que realmente precisasse ser acordado. Penso que Deus é mistério - mistério amoroso... mistério profundo e insondável, com quem temos comunhão, mas que não conseguimos exatamente compreender."
D. Richard Holloway