24 agosto 2008

24 de Agosto de 2008 • Trindade XIV

Leituras
Profecia de Isaías 22.19-23
Salmo 138
Carta aos Romanos 11.33-36
São Mateus 16.13-20



Intercessão



“A Igreja é chamada como comunidade que fala ao mundo em nome de Deus e que fala à Deus a partir da escuridão e frustração do mundo. O que se chama – intercessão de Jesus - é Sua presença incessante junto ao Pai. Ele permanece com o Pai, não como alguém implorando para que o Pai seja bondoso... já que do Pai a graça sempre flui.
Aproximar-se do Pai através de Jesus Cristo, o Intercessor, é buscá-lo com a consciência do custo de nossa redenção pelo sacrifício feito de uma vez por todas – e por uma vitória conquistada de uma só vez – sacrifício e vitória - são ambos história passada e realidades sempre presentes. É isso que ao mesmo tempo capacita e caracteriza nossa resposta a Deus por Jesus Cristo.
Interceder é ter os outros no coração, buscando a presença de Deus. Nossos próprios anseios têm também seu lugar. Está claro pelo ensino de Jesus, que Deus quer que a Ele digamos nossas súplicas.
Quando, no entanto, nós o fazemos – em nome de Jesus – aprendemos a submeter
nossas vontades ao discernimento do querer divino. A intercessão assim não se torna um bombardeio a Deus, com multidão de pedidos... mas um ofertório das nossas súplicas ao caminho da compaixão mesma de Deus.”


Silêncio

“O silêncio permite que nos conscientizemos da presença de Deus, deixando que a mente e a imaginação repousem sobre a Sua vontade, que a oração seja ouvida mesmo antes de ser falada, revelando nosso próprio eu de uma forma que nem sempre é possível quando nos comportamos ruidosamente ou somos envolvidos pelo barulho. Por vozes ocorre o silêncio interior, no qual a alma se descobre em uma nova dimensão de energia e paz, uma dimensão que a vida inquieta não conhece.
Um mundo assustador em seus ruídos e em sua velocidade é um mundo onde só o silêncio pode reforçar a verdadeira liberdade.
O tempo de silêncio permite ao cristão partilhar mais profundamente na adoração sacramental da Igreja. À prática cristã do silêncio, nos abre a maravilha de Deus o Criador, a memória da vida, morte e ressurreição de Jesus, a recordação de cenas da Sua vida, passagens da Escritura, glórias da natureza em que o dedo de Deus está presente, bem como a gratidão pelas bênçãos pessoais ou por palavras dos poetas... que cantam o encanto e a beleza.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman e Todd, Londres 1988

17 agosto 2008

17 de Agosto de 2008 • Trindade XIII

Leituras
Profecia de Isaías 56.1, 6-7
Salmo 67
Carta aos Romanos 11.13-15, 29-32
Evangelho de São Mateus 15.21-28



Peregrinação a Lindsfarne

“Em poucas horas mais e a maré estará baixa. Retornaremos então para casa, de volta às tarefas domésticas, nossas paróquias e igrejas. Filhos e filhas, tomem com vocês a lição suprema desta ilha santa: levem-na consigo. A lição suprema é a de que nossos pais aqui vieram porque sabiam que, se almas devem ser ganhas, primeiro deve vir o chamado à oração, na quietude e distância da agitação da vida do mundo. Levem isto de volta com vocês.
Sacerdotes, coloquem antes de tudo a oração: sejam homens de Deus: sejam intercessores. Sigam a Cuthbert que, - ao oferecer os santos mistérios se oferecia a si próprio como sacrifício à Deus, com lágrimas de contrição.
Povo, guardem silêncio no tempo da oração: usem suas igrejas para a oração quieta e silenciosa – e o céu ficará mais próximo. Levem isto de volta para casa, esta foi a única coisa que Maria escolheu como necessária.
Nossa glória, filhos, está em nossos pais: recordem sempre deles: agradeçam a Deus por eles: imitem sua fé. E o propósito poderoso de Deus se moverá à frente, e em lugar de nossos pais estarão nossos filhos, príncipes e princesas de Cristo em nossa própria terra.”


A Oração Mais Simples

“Ninguém está tão perto de Deus quanto aquele que tenha tal anseio – por menor e mais inarticulado que seja. É aí que a oração pode começar, a oração por sermos nós mesmos em profunda sinceridade.
Podemos rezar assim: Ó Deus anseio por Ti, eu Te quero, ajuda-me a querer-Te ainda mais. Ó meu Deus, eu te amo tão pobremente, ajuda-me a Te amar como Tu me amas. Ó meu Deus, mal consigo confiar em Ti, aumenta minha fé. Ó meu Deus, em verdade não me entristeço por meu pecado: mas quero, dá-me verdadeira tristeza por ele.
Não encontramos a Deus só por tentar ser mais religiosos que o que somos ou podemos vir a ser.
Não, estaremos mais próximos de Deus tentando ser nós mesmos, e aí Ele poderá começar a encontrar-nos, preenchendo nosso vazio, e assim também, algumas das antigas expressões da religião poderão ficar mais próximas do que temos no coração.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall – Darton, Longman and Todd, Londres 1988

09 agosto 2008

10 de Agosto de 2008 • Trindade XII

Leituras
I Reis 19.9, 11-13
Salmo 29
Romanos 9.1-5
São Mateus 14.22-33

Deus é Amigo dos Homens

“Deus é amigo dos humanos, e em todas as trocas entre Deus e os homens Ele será sempre aquele que mais concede, dando tanto que o que é oferecido por nós parece quase nada, tênue e microscópico.
Este é o sentido do Natal, da Sexta-feira da Paixão e da Páscoa – Deus dando-se a si mesmo em ofertório generoso à humanidade, aproximando-se de nós, conosco, e em nós muito além da imaginação.
Deus e nós; sim, Deus e nós, juntos, em maravilhosa proximidade.
Quando rezamos não bombardeamos a Deus com nossos desejos. Começamos muito mais próximos dEle, participando de Seu coração e Sua mente, dispondo nossa vontade à Sua disposição para servir ao Seu bom propósito para com este mundo.”


O Propósito de Deus

“O propósito de Deus é como um fluxo de bondade alcançando o mundo e todas as suas necessidades. Mas é nosso privilégio como filhos de Deus ajudar este Seu curso no sentido de alcançar outras pessoas, tornando-se, elas mesmas, canais. Nossas boas ações podem ser canais da bondade de Deus e assim também, nossas orações.
Não é isto que Jesus nos ensina ao alcançar-nos o Pai Nosso, como modelo de oração? Jesus não diz somente – rezem com estas palavras – mas –
rezem com esta seqüência de pensamento e desejo...
Quando dizemos que Deus nos ama, afirmamos que Ele cuida de cada um de nós como não houvesse ninguém mais necessitando de seu cuidado; ele cuida de ti na individualidade mesma que és. Ele quer a ti, para estar com Ele para sempre, para repartir contigo tudo o que Ele tem para partilhar.
Isto é o Céu.
É a perfeição da relação entre Deus e os humanos. Não pode ser algo egoísta de forma alguma já implica no que é plural, e o céu inclui o amor e serviço mútuo de todos os que dele partilham, amor e serviço totalmente integrados com o amor e a visão de Deus.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, 1988

03 agosto 2008

Domingo 3 de Agosto de 2008 • Trindade XI

Leituras

Profecia de Isaías 55.1-3
Salmo 78.1-29
Carta aos Romanos 8.35,37-39
Evangelho de São Mateus 14.13-21

A Liturgia da Palavra
“Embora a nova possibilidade do acesso ao Pai por Jesus em um Espírito, oportunizado pela nova aliança, a adoração da nova ecclesia tem uma continuidade real com a adoração da antiga. É o mesmo Deus de glória que é adorado.
Na nova ecclesia as Escrituras da antiga ecclesia são acolhidas como Santas Escrituras, pois se mostram agora falando de Cristo e sua glória. Dentre as Escrituras, o Saltério tem um lugar especial.
O Saltério é usado na Igreja por duas grandes razões:
1 – O Saltério é a voz do Israel de Deus, adorando agora como o fazia com o Criador antigamente, Rei e Redentor, orando pela vitória sobre seus inimigos que não são menos mortíferos justamente por serem espirituais, sutís e invisíveis.
2 – O saltério faz parte do livro de orações de Cristo mesmo. Em seu uso dos Salmos as expressões de adoração, súplica e compromisso, além de dedicação, alcançaram um final perfeito.
Ao usar o Saltério em nome de Cristo os membros do Corpo fazem suas as orações do Cabeça mesmo da Igreja.
Jamais tenhamos nós uma só geração de adoradores não familiarizada com os Cânticos e com os Salmos!

A Liturgia da Eucaristia

A Eucaristia é a forma suprema pela qual o povo de Cristo está, através de nosso Sumo Sacerdote, com Deus e com o mundo todo em seus corações.
O autor e agente da Eucaristia é o Verbo de Deus. O Verbo é proclamado nas leituras da Escritura e na pregação. Então, o Verbo Jesus abençoa o pão e o cálice, nos convida e envia.
Jesus, o Verbo, nos nutre para que possamos sempre mais crescer em Seu próprio Corpo neste mundo, partilhando com Ele no trabalho da re-criação do mundo. Não somos nutridos para nos refugiarmos com Ele em uma espécie de espaço da religião mas para sermos conduzidos com Ele, no trabalho de moldar o mundo à sua própria semelhança.
O sentido de toda vida está aí estabelecido, uma vez que os humanos foram criados para adorar a Deus.
Como a Encarnação, a Eucaristia consiste na irrupção, na história, de algo eterno, além da história, algo impossível de ser apreendido em termos históricos somente.
A questão suprema não é a do que fazemos da Eucaristia mas o que ela faz de nós ao, (juntamente com o Verbo), nos conduzir ao caminho de Cristo.

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, 1988

26 julho 2008

27 de Julho de 2008 • Trindade X

Leituras

I Livro de Reis 3.5, 7-12
Salmo 119.129-136
Carta aos Romanos 8.28-30
Evangelho de São Mateus 13.44-52



Jesus: a Escada da Oração Cristã

“A oração cristã significa não só a Oração do Senhor mas Oração do Senhor e o Senhor mesmo. O crente que reza é alguém cuja oração é unicamente sua, um movimento divino e humano dentro de sua própria alma e em lugar algum mais; e como duas pessoas nem mesmo são iguais, também a oração de cada uma será diferente. Mas, por solitária que seja a oração, ela está sempre entrelaçada com a oração de Jesus, com a oração interior do Santo Espírito e com a oração da família orante, a Igreja em todo lugar.
A oração cristã é, em verdade, uma escada cujo topo alcança o céu.
Mas a escada da oração cristã não só alcança o céu e repousa firmemente sobre a terra. Mais que isto, ela une céus e terra muito de perto, porque a escada é Jesus, o Senhor Encarnado.
Nele e por Ele participamos nas orações e louvores dos santos benditos no céu. Nele e por Ele, tocamos, com nossas orações os pecados e tristezas da humanidade. Nele e por Ele nossas orações serão unas, também nEle, como Ele está no Pai pelo vínculo do Santo Espírito.”

A Adoração Litúrgica

Se a Oração do Senhor e a expressão – por Jesus Cristo – forem interpretadas à luz do Novo Testamento, então a oração cristã não é primordialmente mística ou profética em sua essência, mas litúrgica. É a participação dos humanos na ação única de Cristo, morrendo em seu próprio egoísmo humano, da mesma forma como são reunidos em um só Corpo em sua morte e ressurreição.
O movimento regular e ordenado da Liturgia não é um despropósito ou acúmulo à oração cristã; antes, expressa o fato neo-testamentário da adoração como a ação divina, na qual toda oração oração espontânea e congregacional sempre mergulham.
Sendo assim, a comunidade que construimos em nossas paróquias é uma comunidade entre nós que vivemos sobre a terra e a Igreja no paraíso e no céu. Esta dimensão de comunidade sempre precisa de constante ênfase, e de uma expressão litúrgica ainda mais plena, tal como a encontrada no Primeiro Livro de Oração do Rei Eduardo VI. Felizes são os aqueles cujas igrejas estão plenas da lembrança de que a Igreja sobre a terra é uma colônia do céu, e que aqueles que são chamados a serem santos já têm comunhão com os santos na glória.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longmann and Todd, Londres, 1988

20 julho 2008

20 de Julho de 2008 • Trindade IX

Leituras

Livro de Sabedoria 12.13, 16-19
Salmo 86
Carta aos Romanos 8.26-27
Evangelho de São Mateus 13.24-43



A Oração de Jesus

“É tranqüilo afirmar que a Oração de Jesus, bem cedo, foi integrante íntima do seu trabalho naquele mesmo dia. Para Jesus, bem como para os discípulos, a oração é da essência mesma do trabalho de Deus.
No Calvário, Mateus e Marcos contam só da oração de desolação. Lucas, cujo relato suaviza o senso de solidão ao referir a compaixão de Jesus para com os que dele se aproximam, registra outras orações de Jesus no Calvário. Jesus reza pelos soldados que o crucificam, encomendando-os à compaixão do Pai: - Pai, perdoa-lhes; pois eles não sabem o que fazem -. (S. Lucas 23.34)
Finalmente, omitindo o clamor de desolação, Lucas fala de Jesus, em sua morte, entregando-se ao Pai: - Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito.
Obediência ao Pai, ação de graças ao Pai, intimidade com o Pai marcaram a missão de Jesus desde o começo até o fim.
Esta é a oração de Jesus em sua vida sobre a terra, conforme as tradições descritas nos primeiros três Evangelhos. Sua oração é a súplica daquele que é profundamente uno com o Pai e que, ao mesmo tempo partilha das frustrações da humanidade.”

A Oração do Senhor

“Na Oração do Senhor o sentido todo do orar está implícito. Mas ela não pode ser compreendida em separado do Seu ensino e ministério. Sua significação se desdobra na medida em que Jesus se move no trabalho dentre os homens; aí, e acima de tudo em sua morte e ressurreição, está revelado o sentido das palavras em torno das quais se centra a oração – O Pai, o nome, o Reino, a vontade.
As palavras chave da Oração do Senhor nos confrontam com um quadro do trabalho todo de Jesus Cristo. Para rezar a Oração do Senhor precisamos deixar a Galiléia e ir até Jerusalém, onde vemos o nome do Pai, seu Reino e sua vontade expressos na paixão.
A base da oração cristã não é a Oração do Senhor somente, mas a Oração do Senhor e o Senhor mesmo. A oração em seu nome significa rezar por de tudo o que Ele é e tudo o que fez..
Assim, se queremos rezar corretamente a Oração do Senhor, devemos usá-la à luz de sua interpretação no conjunto do Novo Testamento.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres, 1988

13 julho 2008

13 de Julho de 2008 • Trindade VIII

Leituras

Profecia de Isaías 55.10-11
Salmo 65
Carta aos Romanos 8.18-23
Evangelho de São Mateus 13.1-23

A Vida Humana Verdadeira

“Aquietar, ver, amar e louvar: estas palavras descrevem não só o alvo do céu mas a mensagem mesma da Fé Cristã neste mundo. O mundo perdeu de vista o caminho da quietude, da visão, do amor e do louvor. Mergulhado em atividade incessante o mundo não se aquieta para pensar. Sem descanso e sem meditar, o poder para ver é perdido: ver para onde vamos, perceber as perspectivas maiores, entrever além do grupo, nação ou raça, ver os seres humanos como eles realmente são, com a imagem de Deus neles impressa. Onde a visão é frágil, falece o amor; o louvor também se perde pois só louvamos se primeiro vimos e amamos. O ser humano perde o louvor por seu Criador, o sentido mesmo de sua existência, a fonte de seu descanso, de sua visão e de seu amor.
Se as palavras – descanso, visão, amor, louvor – falam tanto do céu quanto da vida humana verdadeira sobre a terra, não falam menos sobre a renovação da Igreja.
A renovação da Igreja significará descanso que se expõe à obscuridade e luz da contemplação, visão tanto da perspectiva celestial quanto das tristezas do mundo, amor que se dá por serviço custoso, e louvor que brota da profundeza da alma.”


O Louvor da Glória de Deus

“Deus declarou sua glória com o propósito de que a Criação inteira possa glorificá-lo. Quando os humanos glorificam a Deus, nada acrescentam à sua glória, eles somente a reconhecem.
O ato perfeito de adoração é unicamente visto no Filho do Homem. Por ele somente se dão o reconhecimento e a resposta perfeita da glória de Deus.
No centro da glorificação de Deus pela Igreja está o rito da Eucaristia. Aí a Igreja se une à glória de Cristo no Calvário e nos céus, e descobre o foco da glorificação de Deus por todas as suas criaturas.
Não devemos pensar que o Evangelho se fará simples para os mundanos e impenitentes. A tentativa de torná-lo simples, pode corrompê-lo ou entortá-lo, O Evangelho da glória de Cristo está sempre bem próximo da humanidade e, ao mesmo tempo, dela bem distante: perto, porque a imagem divina está na humanidade e o Evangelho é a significação verdadeira do ser humano; longe, porque é ouvido somente através da fé e do arrependimento... que derrubam toda auto-glorificação humana, de si mesma e de suas obras.”

Arcebispo Michael Ramsey,
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

06 julho 2008

06 de Julho 2008 • Trindade VII

Leituras
Profecia de Zacarias 9.9-10
Salmo 145
Carta aos Romanos 8.9, 11-13
Evangelho de São Mateus 11.25-30

Pecado e Perdão

“Dentre todos os esforços pela cura das enfermidades humanas, freqüentemente há uma lembrança que fica em falta, a da dimensão do pecado e do perdão.
É esta dimensão do pecado e do perdão que o sacerdote mantém vivos pelo ofício que representa o perdão da Igreja e o do Senhor Jesus. Ele o exercerá pelo ministério da Confissão e Absolvição e também pela pregação do Evangelho da Reconciliação.
A fé dos discípulos falhou e foi restaurada à uma nova profundidade. Pode mesmo acontecer que a resposta do Pai à oração de Jesus permitisse que a lealdade dos discípulos falhasse, na certeza de que, através do fracasso, se libertassem da auto-confiança e assim se juntassem à fé que é a verdadeira morte para o eu.
Se a teologia deseja evitar os perigos de uma falsa secularização, a salvaguarda segura está em manter em seu âmago mesmo as atitudes essenciais da criatura para com o Criador, do pecador para com o Salvador. É quando perdemos a atitude de adoradores, de assombro e reverência na presença do Outro, e quando cessamos de pedir por perdão por nossos pecados, que o limite é ultrapassado. É aí que encontramos a crise do cristianismo secular.”

Return of the Prodigal Son - Rembrandt

A Confissão Sacramental

Na Absolvição, o sacerdote participa, por um lado, do coração quebrantado, no pecado e na penitência, e por outro lado, na tristeza e alegria de Cristo que toma sobre si os nossos pecados e os perdoa.
Todo sacerdote deveria conhecer o suficiente de psicologia para perceber o quanto conhece pouco, e assim reconhecer as instâncias em que deve aconselhar a procura pela psiquiatria. Mas há muitas ocasiões em que o sacerdote efetivamente pode ajudar o penitente por seu conhecimento da espiritualidade ao lado da sabedoria prática e da compaixão.
Muitos podem entender que o sentido da confissão sacramental muda para eles com o passar do tempo. Uma primeira confissão pode ser uma ocasião de percepção muito vívida da Cruz e também se mostrar como um momento de transformação na profundidade espiritual. As confissões subseqüentes, nos primeiros anos, pode efetivamente ter esta vivacidade.
Aí pode seguir-se um tempo em que isto cessa e a confissão pareça ter só a dureza de uma disciplina insossa. É então que, vir à Confissão exige uma disciplina séria da vontade e que se pode encontrar agora, por novos momentos, a ternura do amor de Deus, quase oculta, como que sob os nossos fracassos. Descobrimos humildemente como pode Deus nos usar a despeito de nós mesmos. Assim, nossa humildade e confiança agradecida a Ele serão renovadas.”

Arcebispo Michael Ramsey, Gateway to God – Editado por Lorna Kendall – Darton, Longmann and Todd, Londres - 1988

28 junho 2008

29 de Junho de 2008 • Trindade VI

Leituras

II Livro de Reis 4.8-11, 14-16
Salmo 89.1-18
Carta aos Romanos 6.3-4, 8-11
Evangelho de São Mateus 10.37-42

A Comunhão dos Santos

Nossa compreensão mais profunda da Comunhão dos Santos depende não tanto do entendimento a respeito dos santos mas de nossa compreensão sobre a natureza da oração.
Se a oração for formatada por nossas necessidades e súplicas, podemos então resvalar para o entendimento dos santos como aqueles que respondem às nossas orações, ao nos alcançar certos favores. Se, no entanto, nossa oração for constituída antes de tudo por glorificar a Deus na procura por Sua vontade e por Seu reino, seremos erguidos acima de nós mesmos na companhia daqueles que no paraíso e no céu procuram pela glória e também a refletem.
Na família dos santos podemos pedir pelas orações daqueles que estão próximos da visão de Deus, e podemos rezar por todos os que estão na terra, no paraíso ou no céu. Mas não podemos esquecer que esta família inclui os fracos e os que ainda lutam, como nós mesmos, ou aqueles cuja santidade é tão tênue porque o mundo deles exige demais. Nossa oração olha tanto para os fracos quanto para os fortes e, se formos fiéis, alcançará a ambos, uma vez que a glória de Cristo é sempre uma com a agonia de sua compaixão. Isto é o que significa rezar – Creio na Comunhão dos Santos.

Por que mesmo estamos aqui?

Será que existe mesmo neste nosso mundo dividido e frustrado alguma pista, algum sentido, um padrão, alguma soberania, um caminho? A Fé Cristã responde: Sim, há uma pista, um sentido, um padrão, uma soberania, um caminho. Isto é o que se descreve na parábola de Jesus sobre o grão de trigo que morre para dar fruto. É assim que Deus conquista o mal. Onde quer que em nosso mundo existam vidas que assim vivam, aí haverá uma luz brilhando e refletindo a própria luz de Cristo, um caminho claro e luminoso.
Assim saudamos aos santos.
Não é fazer o bem neste mundo o que gera um santo; ele geralmente faz o bem, mas o mesmo também ocorre com muitos outros a quem jamais chamaríamos santos. Não, o santo é alguém que tem uma peculiar proximidade a Deus e torna Deus muito real e muito próximo das outras pessoas. Ele personifica a parábola do grão de trigo que cai sobre a terra e morre.
Os santos refletem Jesus no mundo. Eles respondem a indagação dos desesperados que se perguntam, Onde está a chave, Qual é o objetivo? Para o que é mesmo o mundo? Eles nos mostram porque que estamos aqui – pois a menos que o grão de trigo caia sobre a terra e morra... –
Por que foi o mundo criado? A Festa de Todos os Santos nos dá a resposta.

21 junho 2008

22 de junho • Tribdade V

Leituras

Profecia de Jeremias 20.10-13
Salmo 86.1-10,16-17
Carta aos Romanos 5.12-15
Santo Evangelho de São Mateus 10.26-33

O Santo Espírito

O Espírito, derramado no dia de Pentecostes, é dom de Jesus crucificado e exaltado. O Espírito, é o Espírito de Jesus. Esta é a revolução no conceito do Espírito que vemos na Igreja primitiva.Em Atos dos Apóstolos São Lucas expõe o nascimento da Igreja como o drama do Espírito Santo.
A Igreja existe pelo poder do Espírito Santo. Seja como comunidade, como corpo, como templo ou povo de Deus, ela não tem existência não ser pelo impacto do Espírito sobre as vidas humanas.
A renovação feita pelo Espírito na Igreja está ligada ao testemunho do Espírito à vida, morte e ressurreição de Jesus. O caminho da verdade pelo qual o Paráclito nos guia é sempre a vereda que é Cristo mesmo, o que acontece quando Ele toma os fatos de Cristo e os declara aos discípulos.
Custa caro invocar o Espírito, pois a glória do Calvário foi o preço da missão do Espírito e é o preço mesmo da renovação do Espírito. É à sombra da Cruz que em todos os tempos da história os cristãos rezam: - Vem, ó Santo Espírito.

Pomba do Espírito Santo, multicolorida, com fundo floral primitivo. Nadja Vilas Boas. Mosaico bizantino, acabamento polido

O Santo Espírito e o Mundo

O Espírito não é algo em si mesmo, ou uma pessoa em si mesma, ou uma entidade filosófica também em si; Ele significa que Deus está ativo no mundo.
Como a ação de Cristo na Igreja inclui o aquecer realizado pelo Espírito nas respostas dos crentes, assim a ação do Verbo no mundo incluirá o aquecer do Espírito nas respostas humanas.
A salvação do mundo é trabalho do Santo Espírito não só para produzir bondade nas vidas humanas e conduzi-las a reconhecer Deus como o autor da bondade, além de glorificar o Cristo.
Três questões são suscitadas pela relação do Espírito na ecclesia e o Espírito no mundo: as ciências, as religiões do mundo e a bondade nele difusa.
Cada uma destas questões clama pelo reconhecimento explícito do Verbo divino e do Espírito no mundo, bem como pelo reconhecimento de um Salvador divino sem o qual nem a ciência, nem a religião, nem a bondade, podem subir ao céu – pois o céu é a participação perfeita na glória da Deus através do Espírito.

Gateway to God, Arcebispo Michael Ramsey
Editado por Lorna Kendall, Darton, Longman and Todd, Londres - 1988

14 junho 2008

15 de junho • Trindade IV • Evelyn Underhill

Leituras

Livro de Êxodo 19.2-6
Salmo 100
Carta aos Romanos 5.6-11
São Mateus 9.36, 10.8


O Santo Espírito
Dom e Poder

Última Mensagem de Evelyn Underhill
15 de Junho de 2008
Aniversário do Seminário e 105 anos de nossa Educação Teológica no Brasil

“Desde o início a Igreja esteve segura de que as séries de eventos que concorreram para o final inevitável da Semana Santa resumem e expressam os segredos mais profundos da relação de Deus com os seres humanos. Isto significa que a fé cristã jamais poderá ser só uma religião agradável ou consoladora. É trabalho duro. Está preocupada com a salvação através do sacrifício e do amor em um mundo no qual, como agora podemos ver, o mal e a crueldade são crescentes. Seu símbolo supremo é o Crucifixo – o ofertório total do ser humano aos propósitos redentores de Deus.

Somos todos filhos de Deus e temos todos nossa parte a desempenhar em seu plano redentor; a Igreja consiste nas almas amorosas que aceitam este dever, com todos os seus custos. De seus membros é exigido que vivam, cada um em seu caminho, através dos sofrimentos o abandono da Cruz; isto, como a contribuição única que podem fazer para a redenção do mundo. Os cristãos, assim como seu Mestre devem estar prontos a aceitar o pior que o mal e a crueldade lhes possam fazer, além de vencer tudo isto pelo poder do amor.

Se sacrifício e entrega total ao propósito misterioso Deus é o que se espera de nós, Sua resposta a este sacrifício é o dom de poder. Páscoa e Pentecostes completam o Mistério Cristão ao mostrar-nos, primeiro nosso Senhor mesmo e então, seus apóstolos escolhidos cheios de poder - poder do Espírito – que transformou todas as situações com que se depararam. Este poder sobrenatural ainda é a herança de todo cristão, e nossa idéia de fé cristã será destorcida e incompleta a menos que confiemos assim. É somente este poder que pode suscitar a nova sociedade cristã da qual tanto ouvimos. Devemos rezar por ela; esperá-la, nela confiar, e assim fazendo, aos poucos estaremos mais e mais dela convictos.”
(1) Esta foi a última carta que Evelyn Underhill escreveu ao Grupo de Oração que dirigia, para a Páscoa, em 1941. Ela morreu dois meses mais tarde, na Festa de Corpus Christi.

Os Sete Dons do Espírito

“Os escritores místicos nos falam de certas qualidades que são tradicionalmente chamadas de – os sete dons do Espírito -; se estudarmos a natureza especial destes dons veremos que são nomes de marcas ou poderes interligados que trabalham unidos pela edificação e esclarecimento da personalidade toda – como a edificação da natureza humana à novos níveis, uma sublimação do seus instintos primitivos. O primeiro par destas qualidades que devem marcar nossa humanidade espiritual são chamados de Santidade e Temor. Por elas significamos o solene instinto de relação direta com uma ordem eterna, aquela seriedade e encanto que devemos sentir na presença dos mistérios do universo; o temor do Senhor que é o princípio da sabedoria. Destes, crescem os dons chamados Conhecimento, o poder de discernir os verdadeiros dos falsos valores, de escolher um bom caminho pelo mundo confuso e a Força, o forte controle central das diversas energias do ser: este talvez, o dom mais necessário de nossa distraída geração. – Pelo dom da força espiritual, - diz Ruysbroeck, o ser humano transcende todas as coisas de sua condição como criatura, além de possuir-se a si próprio, poderoso e livre. - Este certamente é um poder que devemos desejar para as crianças do futuro e a elas devemos alcançá-lo, se nos for possível.

Vemos que os primeiros quatro dons do Espírito governam o ajuste do ser humano em sua vida terrena: eles incrementam muitíssimo o valor da personalidade na ordem social, esclarecendo a mente e juízo, conferindo nobreza aos objetivos. Os últimos três dons – chamados como Conselho, Inteligência e Sabedoria – governam o relacionamento com a ordem espiritual. Por Conselho, os escritores místicos significam aquela voz interior que, na medida em que a alma amadurece, urge conosco a deixar o transitório e procurar pelo eterno; isto, não como ato de dever, mas como ação de amor. Quando esta voz é obedecida, o resultado será uma Inteligência espiritual; a qual, como diz Ruysbroeck novamente, pode – “ser semelhante ao nascer do sol, que enche o ar com seu brilho claro, iluminando todas as formas, mostrando a distinção de todas as cores”. Este dom espiritual assim, irradia o mundo todo com um novo esplendor e nos mostra segredos sobre os quais jamais antes cogitamos. Dele, os poetas conhecem vislumbres e dele procede seu poder; é que ele capacita os seus possuidores a viver verdadeiramente, a partir a perspectiva de Deus e não da perspectiva humana.”

(De uma Antologia do Amor de Deus, por Evelyn Underhill)
Extraído de The Anglican Digest, Pentecost 2008

ADORAÇÃO

“A Adoração é a primeira e a maior das respostas da vida ao seu ambiente espiritual; é o movimento primeiro e mais fundamental na direção do Espírito, a semente da qual todas as demais orações devem brotar. Ela está dentre as forças educativas mais poderosas, purificando o entendimento, formando e desenvolvendo a vida espiritual. Assim como jamais podemos conhecer o segredo da grande arte ou música, até que tenhamos aprendido e olhar e escutar com humilde reverência – alcançar uma beleza além de nosso alcance – assim a procura e o apreço permanecerão intocados, até que tenhamos aprendido a contemplar, ouvir e adorar. Somente então iremos adiante de nós mesmos e de nossa pobre visão, derramado-nos àquilo que nem conhecemos, escapando de nossa pequenez e de nossas limitações, para a a vida universal.”

Evelyn Underhill, The Golden Sequence, Methuen & Co. Ltd., 1932, página 162

Tradução de D. Luiz O. P. Prado para uso interno do SETEK

07 junho 2008

08 Junho 2008 • Trindade III

Leituras

Profecia de Oséias 6.3-6
Salmo 33.1-12
Carta aos Romanos 4.18-25
Evangelho de São Mateus 9.9-13



As Lágrimas de Jesus Unem Nosso Mundo

“Sempre de novo percebo os apóstolos, nos textos do Novo Testamento, animando os cristãos de seu tempo a pensarem sobre os conflitos maiores, as dificuldades maiores vividas pelos irmãos em outras terras. Somos, realmente somos, membros uns dos outros?
Estamos prontos para um modo de vida mais simples? Temos tido o cuidado, por nós mesmos, de fazer tudo o que for possível no serviço aos famintos? Temos mesmo nos comprometido de forma que nos custe realmente alguma coisa?
Podemos retratar Jesus hoje chorando sobre muitas cidades, aldeias, vilarejos e países; alguns com sua pobreza e fome, alguns com sua riqueza, poder e complacência.
As lágrimas de Jesus unem nosso mundo e mostram como nos deixamos envolver e omitir. Jesus teria nos envolvido em sua tristeza e, sendo seus seguidores, não teríamos desejado diferentemente. Mas aqueles que participam na dor de Jesus são também admitidos à sua alegria: Sua alegria por um pecador que emenda seus caminhos, Sua alegria por todo copo de água fresca dado a uma criança em necessidade, Sua alegria por todo ato de serviço ao Pai celestial e à humanidade.
Não perguntaremos, - quem é meu próximo? – Meu próximo é Cristo e Cristo está em toda parte.”

Ainda... Lendo São João

“O Evangelho de São João nos oferece o retrato da vida e ensino de Jesus através de um discípulo que ponderou esta significação e que culminou numa dada compreensão da Sua mensagem para a raça humana. Este Evangelho nos mostra Jesus tal como foi experimentado, conhecido e amado há séculos. Mas em nossa leitura não podemos olhar somente para trás. Pensaremos sem cessar como este Jesus está vivo em nossos dias, falando-nos tanto quanto falou a Nataniel, Nicodemos e à mulher em Samaria. Lemos de Jesus sobre como Ele era então visto e ouvido há séculos. Sabemos como este mesmo Jesus está presente em nós, nos nossos dias, falando diretamente através dos atos e palavras que lemos.
Devemos rezar: Senhor Jesus, lendo o evangelho de teu discípulo, mostra-me o que devo escutar, receber e fazer. Faz deste Evangelho uma palavra viva para mim.”

Gateway to God, Arc. Michael Ramsey
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres - 1988

31 maio 2008

01 Junho de 2008 • Trindade II

Leituras

Deuteronômio 11.18, 26-28
Salmo 31
Carta aos Romanos 3.21-25, 28
Evangelho de São Mateus 7.21-27
A Fonte da Verdade

“Temos o Jesus retratado nos Evangelhos e Jesus como o Senhor vivo em meio ao seu povo: Jesus na Bíblia e Jesus no Bendito Sacramento.
Mas a doutrina de Cristo significa bem mais que o Jesus histórico.
Temos conosco o padrão de fé estabelecido no Credo, desde o “Deus Pai Todo-Poderoso” até “...a ressurreição dos mortos e a vida do mundo vindouro”. Não devemos tratar a doutrina do Credo como uma relação de itens impessoais, como se fosse uma pilha de tijolos. Tratemos o todo como a doutrina de Cristo, como tantos outros aspectos do mistério do qual ele é o centro.
O Pai Todo Poderoso declara seu poder principalmente ao mostrar misericórdia e perdão – misericórdia e perdão da Encarnação de Cristo. Novamente, a Santa Igreja Católica de Cristo é a família mesma de Cristo, seu lar. A Comunhão dos Santos é a companhia daqueles que refletem a glória de Cristo, e o céu é o gozo do brilho de Cristo. Veja a doutrina cristã desta forma e ela fará toda a diferença para seu estudo.
Considere o estudo mais como renovação profunda, de dentro, fonte cheia de vida que é o Cristo mesmo.”


As Riquezas de Cristo

“... nosso Senhor Jesus Cristo: ele era rico, mas se fez pobre por causa de vocês, para que vocês se tornassem ricos por meio de sua pobreza.”
II Carta aos Coríntios 8.9
As riquezas que Cristo reparte conosco são a Sua glória, Seu poder e Sua alegria.
A glória de Cristo é o amor que se doa, visto em Sua vida e morte. Ela reparte isso conosco e o faz em verdade pelo Bendito Sacramento. O poder de Cristo é uma forma de poder que os seres humanos acham difícil compreender: não é o poder do privilégio e da superioridade sobre outras pessoas, mas o poder mais sutil da influência amorosa, da conquista das mentes e consciências para a verdade.
Nós, cristãos, somos chamados a ter na glória de Cristo a nossa própria e no poder de Cristo, também o nosso. Com estes dons teremos a alegria.
Andemos até Belém mais uma vez. Vejamos o estábulo e a criança. E sabendo que Ele é Deus feito Homem, sabendo que Ele que é rico se fez pobre por nós, podemos ajoelhar no escuro e no frio que símbolos da frieza da raça humana, e rezar, com uma devoção que jamais tivemos antes, a doxologia ao final da Oração do Pai Nosso: “... pois Teu é o Reino, o poder e a glória, para sempre. Amém.”

Gateway to God , Arcebispo Michael Ramsey
Editado por Lorna Kendall – Darton, Longman and Todd, Londres 1989

24 maio 2008

25/05 • Trindade I

Jesus, Deus e homem

“Quando Deus se fez carne sua significação como Deus se aclarou.O ofertório de si mesmo, o tornar-se humano e o amor sofredor não foram acréscimos à experiência divina ou meros incidentes na história divina. Ao fazer-se homem, Deus revelou o sentido do que significa ser Deus. Vemos a glória no fazer-se carne porque é glória – além – e eterna.
Assim também em Jesus a raça humana descobre sua verdadeira significação. Os homens rejeitaram Jesus porque preferiram a glória humana à glória de Deus, como nos ensina São João em seu Evangelho.
A glória humana verdadeira é nele o reflexo da glória divina, o amor sacrificial como é visto em Jesus.
Assim, é em Jesus que vemos o ser humano se tornar seu verdadeiro eu, abrindo mão de si próprio, que é o que acontece quando o ser humano é possuído por Deus. O sentido do que é ser humano surge quando este se oferece como o lugar onde a divindade se cumpre, e a glória de um é a glória do outro.
A expressão – Homem para os outros – é iluminadora, mas não é a história toda, pois Deus criou o homem não só para os outros mas também para Ele mesmo.”



Jesus, o Senhor vivo

“Jesus, o Senhor vivo. O que significa mesmo isto para a humanidade através dos tempos? – O Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória.- Isto nos é terrivelmente familiar – o Evangelho dos dias de Natal. Recuemos um passo, no entanto, para perceber a admirável afirmação que está aí.
- Verbocarne - são ambas palavras bíblicas com sentido bem distintos.
- Verbo – Aquele que está vivo, ativo, o Criador divino.
- Carne – como expressão bíblica, denota o oposto. Carne significa o que é mortal, frágil, perecível, destinado a morrer.
- Assim, o contraste está entre aquele que é divino, partilhando da vida divina do Criador mesmo – o Deus vivo – e a vida humana inteira vivida em sua condição de criatura, fragilidade e mortalidade.
O sentido maior é o de que neste acontecimento o Verbo se fez carne; o divino tomou sobre si mesmo nossa condição verdadeira, frágil, a existência humana enquanto criatura.
Jesus é Senhor: Cremos na vida histórica de uma pessoa há mais de 2000 anos. Confessamos sua divindade exatamente como os primeiros crentes também o fizeram. Jesus está presente assim como esteve no passado: Ele é; Ele verdadeiramente é.”
Gateway to God
Arcebispo Michael Ramsey
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

20 maio 2008

Matrícula para os Cursos à Distância


O período para efetuar a matrícula para o segundo semestre de 2008 é de 21 de maio a 14 de junho.
Abaixo estão todas as informações sobre cada curso oferecido.
Se alguma informação que você deseja não está no blog, por favor entre em contato conosco através do e-mail ou telefone.

CURSOS OFERECIDOS

MODALIDADE FREQUENCIAL

Curso Superior de Teologia (em nível de graduação)
Duração mínima: 8 semestres
Créditos: as disciplinas têm créditos variados, de 2 a 4.
Local: SETEK – Av. Eng. Ludolfo Boehl, 278, Teresópolis – Porto Alegre – RS – CEP 91720-150
Condições mínimas para ingresso:
Certificado de Conclusão de Curso do Ensino Médio (antigo 2º grau).
Carta de apresentação do Bispo Diocesano.
1 foto 3x4.
Prova de seleção.
Preenchimento da ficha de matrícula.
Quando concluído: Certificado de Conclusão do Curso Livre Superior de Teologia.
Objetivo preferencial do curso: formação diaconal/sacerdotal.

MODALIDADE À DISTÂNCIA

Curso Livre Superior de Teologia (em nível de graduação).
Duração mínima: 10 semestres.
Número de créditos: 4 créditos por disciplina a cada semestre.
Número máximo de disciplinas por semestre: 4.
Núcleo-base do curso: SETEK.
Condições mínimas para o ingresso: as mesmas do curso anterior, além de pagamento (por semestre: janeiro a junho – julho a dezembro), por disciplina – ex: Liturgia I – 6 x R$ 55,00 de janeiro a junho, Liturgia II – 6 x R$ 55,00 de julho a dezembro).
Quando concluído: Certificado de Conclusão do Curso Livre Superior de Teologia à distância.
Objetivo preferencial do curso: formação ministerial, diaconal e sacerdotal.

Curso Livre de Imersão em Anglicanismo
Duração mínima: 2 semestres
Número de créditos: 4 créditos por disciplina a cada semestre.
Disciplinas: História do Anglicanismo I, História do Anglicanismo II, Leitura da Bíblia na Perspectiva Anglicana, Liturgia Anglicana, Teologia Anglicana.
Núcleo-base do curso: SETEK.
Condições mínimas para ingresso:
Carta de apresentação do Bispo Diocesano (ou de um clérigo da IEAB, para alunos de outras denominações).
1 foto 3x4.
Preenchimento da ficha de matrícula.
Quando concluído: Certificado de Conclusão do Curso Livre de Imersão em Anglicanismo à distância.
* O valor a ser pago pelo curso, por disciplina, é o mesmo do Curso Livre Superior de Teologia.

Curso Livre de Aprofundamento de Estudos Teológicos
Duração mínima: 2 semestres.
Disciplinas oferecidas no momento: Patrística, Teologia Anglicana.
Núcleo-base do curso: SETEK.
Condições mínimas para ingresso:
Certificado /Diploma de Curso Superior de Teologia, ser clérigo ou postulante às Sagradas Ordens na IEAB.

Diploma/Certificado de Curso Superior de Teologia.
1 foto 3x4.
Preenchimento da ficha de inscrição.
Quando concluído: Certificado de Conclusão do Curso de Aprofundamento de Estudos Teológicos à distância.
* O valor a ser pago pelo curso, por disciplina, é o mesmo do Curso Livre Superior de Teologia.


*IMPORTANTE:
Todo/a aquele/a que desejar cursar uma das modalidades dos Cursos à Distância, deve estar, de alguma forma, ligado/a a um/a clérigo/a ou paróquia da IEAB. Para mais detalhes, entrar em contato com a secretaria do SETEK.

* Informações atualizadas no dia 19 de maio de 2008

CURSO LIVRE SUPERIOR DE TEOLOGIA À DISTÂNCIA

OBJETIVO:

O curso visa oferecer uma formação na área de conhecimento Teológico a pessoas que desejam instrumentalizar-se, estudar, refletir e "fazer teologia", aspirando ou não ao Ministério Ordenado da IEAB, sendo ênfases do curso a reflexão pastoral, teológica e missionária.


PÚBLICO – ALVO:

Membros de todas as Dioceses da IEAB, bem como dos Distritos Missionários, que poderão realizar o curso como alunos/as regulares ou especiais.


CONDIÇÕES PARA INGRESSO:

Para estudantes regulares: exigência mínima de Certificado de Conclusão de Curso de Ensino Médio completo.
Para estudantes regulares e especiais: carta de apresentação do Pároco/a do/a candidato/a, endossada pelo Revmo. Bispo Diocesano; preenchimento de Ficha de Inscrição para o curso;

DISCIPLINAS OFERECIDAS / GRADE CURRICULAR DO CURSO LIVRE SUPERIOR DE TEOLOGIA À DISTÂNCIA:

1° semestre:
Introdução à Bíblia – 4 créditos
Introdução à Psicologia – 4 créditos
Liturgia I – 4 créditos
Filosofia – 4 créditos

2° semestre:
História e Geografia de Israel – 4 créditos
Teologia Sistemática – 4 créditos
Psicologia da Relações Humanas – 4 créditos
Liturgia II – 4 créditos

3° semestre:
Literatura do Antigo Testamento – 4 créditos
História da Igreja – 4 créditos
Teologia Sistemática – 4 créditos
Análise de Conjuntura – 4 créditos

4° semestre
Literatura do Antigo Testamento – 4 créditos
História da Igreja – 4 créditos
Teologia Sistemática – 4 créditos
Teologia Metodologia Pastoral – 4 créditos

5° semestre
Literatura do Novo Testamento – 4 créditos
História da Igreja – 4 créditos
Teologia Sistemática – 4 créditos
Teologia Metodologia Pastoral – 4 créditos

6° semestre
Literatura do Novo Testamento – 4 créditos
História da Igreja – 4 créditos
Teologia Sistemática – 4 créditos
Missiologia – 4 créditos

7° semestre
Teologia Bíblica do Antigo Testamento – 4 créditos
História da Igreja – 4 créditos
Ética – 4 créditos
Missiologia – 4 créditos

8° semestre
Teologia Bíblica do Novo Testamento – 4 créditos
História da Igreja – 4 créditos
Teologia Anglicana – 4 créditos
Ecumenismo – 4 créditos

9° semestre
História do Pensamento Cristão – 4 créditos
Teologia Anglicana – 4 créditos
Educação Cristã – 4 créditos
Administração Paroquial e Cânones – 4 créditos

10° semestre
História do Pensamento Cristão – 4 créditos
Homilética – 4 créditos
Educação Cristã – 4 créditos
Administração Paroquial e Cânones – 4 créditos

Obs.: Um crédito é equivalente a 15 horas/ aula.

CUSTOS:

Os/as candidatos/as poderão matricular-se por disciplina.
Cada uma delas tem o custo mensal de R$ 55,00. Assim, no 1° semestre, deverão ser pagas 6 parcelas desse valor, o mesmo acontecendo no 2° semestre, totalizando 12 parcelas. O valor atual poderá ser reajustado de acordo com as necessidades.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

Para informações de como efetuar o pagamento, entre em contato diretamente com a secretaria do SETEK.
A cada ano são oferecidas 8 disciplinas diferentes, permitindo ao/à candidato/a concluir o seu curso, se se matricular em todas as disciplinas, no prazo mínimo de 10 semestres, ou seja, 5 anos.

DOCUMENTOS EM ANEXO:

Ficha de Inscrição a ser devolvida até o final do prazo de matrícula.

* A assinatura do Bispo Diocesano na ficha de inscrição é necessária apenas para aqueles alunos que desejam uma formação para o Ministério Ordenado. Para os que querem somente cursar Teologia, sem a intenção de ordenação, é necessária apenas a assinatura do/a reverendo/a.

* Para o segundo semestre de 2008 a data de matrícula é de 21 de maio a 14 de junho.

O Curso Livre Superior de Teologia à Distância é em nível de graduação e o SETEK é reconhecido pela ASTE ( Associação dos Seminários Teológicos Evangélicos).

Toda a correspondência para o SETEK poderá ser enviada para:

Seminário Teológico Dom Egmont Machado Krischke
Av. Engº. Ludolfo Boehl, 278 – Porto Alegre – RS – 91720-150
Fone em horário comercial ( 51) 3318.6122
Endereços eletrônicos:

lprado@ieab.org.br
vera.oliveira@terra.com.br
setek@terra.com.br

*IMPORTANTE:
Todo/a aquele/a que desejar cursar a modalidade acima descrita, deve estar, de alguma forma, ligado/a a um/a clérigo/a ou paróquia da IEAB. Para mais detalhes, entrar em contato com a secretaria do SETEK.

* Informações atualizadas no dia 19 de maio de 2008

CURSO LIVRE DE IMERSÃO EM ANGLICANISMO

O Curso Livre de Imersão em Anglicanismo à Distância é para quem, preferencialmente, já fez Curso Superior de Teologia em outra Instituição.
O Curso Livre de Imersão em Anglicanismo à Distância, tem a duração de dois semestres e as disciplinas oferecidas são:


1º semestre:

História do Anglicanismo I
Teologia Anglicana

2º semestre:

História do Anglicanismo II
Liturgia Anglicana
Leitura da Bíblia na Perspectiva anglicana


São documentos necessários para o ingresso no curso, o que segue:
Certificado de Conclusão de Curso de Ensino Superior completo;
Carta de apresentação do Bispo Diocesano, Pároco/a ou Delegado Episcopal;
Ficha de Inscrição, a ser reproduzida individualmente (enviada após o estudante confirmar o interesse).
1 foto 3x4

O valor do curso é R$ 55,00 mensais, por disciplina, em 6 parcelas, ou seja;
Para 1(uma) disciplina = 55,00 x 6 = 330,00.
Para informações de como efetuar o pagamento, entre em contato diretamente com a secretaria do SETEK.


SÓ TERÁ DIREITO A EXAME FINAL O/A ESTUDANTE QUE ESTIVER COM SEUS PAGAMENTOS EM DIA.

Vale para o Curso Livre de Imersão em Anglicanismo o mesmo documento básico do Curso Livre Superior de Teologia à Distância do SETEK.

* A data para efetuar a matrícula para o segundo semestre de 2008 é de 21 de maio a 14 de junho. O pagamento deverá ser efetuado até o dia 10 de cada mês.

O estudante receberá o material e as orientações dos professores após enviar a ficha de inscrição e efetuar o pagamento da primeira parcela, pois esta corresponde a taxa de matrícula.

Obs.: A Ficha de Inscrição será enviada mediante interesse na matrícula.
Solicitamos o retorno da ficha de inscrição e pagamento da primeira parcela dentro do prazo previsto, caso seja do seu interesse realizar o curso apresentado acima, para o devido encaminhamento do material. É embaraçoso falar, mas o cumprimento do compromisso do pagamento é importante para nós, pois este curso é bastante oneroso para o SETEK.
Qualquer dúvida relacionada ao presente curso entre em contato com o Seminário por email ou telefone: (51) 3318.6122
O seguinte endereço eletrônico está à disposição:
setek@terra.com.br

*IMPORTANTE:
Todo/a aquele/a que desejar cursar a modalidade acima descrita, deve estar, de alguma forma, ligado/a a um/a clérigo/a ou paróquia da IEAB. Para mais detalhes, entrar em contato com a secretaria do SETEK.

* Informações atualizadas no dia 19 de maio de 2008

17 maio 2008

17/05 • Domingo da Santíssima Trindade

Leituras
Gênesis 1.1-2.4a
II Carta aos Coríntios 13.11-13
Evangelho de São Mateus 28.16-20

O Reino de Deus

“Jesus anunciou o Reino de Deus como o Seu propósito realizado no espectro todo da existência humana, física e espiritual. Contemplando a visão inteira do Reino de Deus, compreendemos que na mente de Jesus a mente física de um ser humano, embora tão importante, não é um fim em si mesma; é só uma porção da vida humana que existe para fazer a vontade de Deus e refletir sua retidão e seu amor.
Aí vemos Jesus, na continuação da história, como que retirando-se de seu trabalho de cura, mesmo sendo tão próximo de seu coração, passando a concentrar-se no tema mais crucial do pecado e do perdão dos pecados. É no cenário do pecado, de seu perdão e no estabelecimento da retidão que o núcleo mais central do Reino de Deus se estabelecerá.
Sempre de novo Jesus insiste que todos devem se arrepender, todos devem rezar, - perdoa os nossos pecados – e o perdão se mostra como dentre os grandes dons que Jesus traz.
O Reino está, de forma maravilhosa, corporificado em Jesus mesmo e sua pessoa. Onde Ele estiver, aí estará o Reino; estar com Ele e aceitá-lo é aceitar o Reino de Deus”.

Deus é como Cristo

“A importância da confissão – Jesus é Senhor – consiste não só em que Jesus é divino mas que Deus é como o Cristo. Deus é como o Cristo e nEle nada há que não seja assim.
Deus é como o Cristo significa que Sua Paixão e Ressurreição são a chave para a significação mesma da divindade de Deus. Há, no universo, ou além dele, alguma coerência, sentido, padrão ou soberania? A doutrina do Novo Testamento é que na morte e Ressurreição de Jesus, no fato do seu viver através do morrer, achando a vida ao perdê-la, de ganhá-la ao entregá-la, aí está a soberania. Crer nisto com bem mais que simples assentimento intelectual é crer existencialmente, e crer existencialmente significa seguir o caminho que encontra a vida pela sua perda.
Toda manifestação do poder de Deus no mundo ocorre através de dor e custo, e todo crescimento nosso em santidade e semelhança ao Cristo acontece também pela dor e custo. A graça de Deus pode transformar a dor e o custo em algo maravilhoso, e por isso rezamos que o maligno não os use para seus maus propósitos.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres, 1988

09 maio 2008

11/05 • Domingo de Pentecostes

Leituras

Atos dos Apóstolos 2.1-11
Salmo 104:24-34, 35b
I Carta aos Coríntios 12.3-7, 12-13
Evangelho de São João 20.19-23

A Sabedoria de Deus na Cruz

“A Igreja proclama a sabedoria de Deus, anunciada em sua essência na crucifixão de Jesus Cristo, uma sabedoria aprendida ao chegarem os homens à crise do arrependimento e ao conseqüente conhecimento de si próprios e de Deus.

A sabedoria da Cruz, à primeira vista, parece negar a sabedoria do Espírito de Deus no mundo criado; ela escandaliza o sentido humano do bem e do belo.

Mas os cristãos, tendo sido os primeiros a defrontar-se com o escândalo, descobrem na Cruz a chave para o sentido de toda a Criação. A Cruz abre seus segredos e suas tristezas, além de interpretá-los em termos de poder de Deus.

A Cruz é o lugar onde a teologia da Igreja recebe sua significação, onde a unidade da Igreja é uma realidade profundamente presente, e onde a Igreja mostra desde já a paz de Deus e o pão dos céus a todas as nações da terra.”


A sabedoria de Deus na Igreja

“A sabedoria anunciada na Cruz criou a Igreja e se expressa pela Igreja, em sua vida como Corpo de Cristo crucificado e ressurreto.

O trabalho da Igreja ao pensar, interpretar e ensinar é inseparável da vida mesma da Igreja em Cristo. Sua autoridade é Cristo mesmo, reconhecido na edificação do Corpo, em verdade e amor. Assim, - ortodoxia – significa não só opinião certa mas – adoração certa – ou, glória verdadeira – segundo o sentido bíblico da palavra – doxa; pois vida, pensamento e adoração são atividades inseparáveis no Corpo de Cristo.

Como Jesus, em meio ao seus atos de cura e nutrição movia-se também na direção da morte, assim é com a Igreja. É que a Igreja existe para algo mais profundo que filantropia e reforma, a saber, para ensinar os homens a morrer para si e confiar numa ressurreição para uma vida nova. Ela envolve este e o outro mundo, jamais podendo ser completamente compreendida aqui, intrigando sempre aos idealistas do mundo. Assim, como Corpo de Cristo crucificado e ressurreto, a Igreja aponta aos homens uma unidade e paz que nós humanos geralmente não compreendemos nem desejamos.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

04 maio 2008

Páscoa VII • Domingo após a Festa da Ascensão do Senhor

Leituras

Atos dos Apóstolos 1.6-14
Salmo 68.1-10, 32-35
I Carta de São Pedro 4.12-14; 5.6-11
Evangelho de São João 17.1-11

Como pensar sobre o Céu?

“Em sua Cidade de Deus, Santo Agostinho fala sobre o Céu: - Descansaremos e veremos, veremos e seremos amados, amaremos e louvaremos, no final que não é o fim.

Descanso: Estaremos livres da correria e das atividades inconvenientes em que nos colocamos e nos expomos em nossa atitude, centrados em nós mesmos.
Descansando, descobriremos que vemos de outra forma, sem os antigos obstáculos. Veremos nosso próximo tal qual é mesmo, criaturas e filhos de Deus em quem está a imagem divina, e esta imagem se tornará visível em nós de forma nova. Nós também nos veremos a nós mesmos como criaturas de Deus infinitamente pequenas: e começaremos a ver Deus em Sua beleza.

Vendo, amaremos, pois como não amaríamos Deus em Sua beleza, e como não amaríamos nosso próximo em quem a imagem de Deus é agora visível a nós?

Louvor será a última palavra, pois tudo é de Deus e nada resulta de nossa própria realização, e conheceremos a profundidade da gratidão e da adoração.
Este é o Céu para o qual fomos criados.”

Santidade

A idéia de santidade encontra uma ênfase nova na Igreja primitiva. Na nova aliança o papel de – nação santa – é assumido pelos cristãos; são eles a ecclesia de Deus, chamados para ser santos, raça eleita, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus (I S. Pedro 2.9).

O uso de hoi hagioi, os santos, como a descrição normal para os cristãos, renova a ênfase nova e imensa sobre a santidade no Cristianismo.

Assim, a vida no Espírito é santidade.

Acolhendo a santidade no chamamento de Deus e o no Espírito da santidade, a Igreja cresce no caminho da santidade de Cristo.

Unidade, santidade, verdade; assim como a oração do Grande Sumo Sacerdote é indivisível, assim também o seu cumprimento. Em nada ajuda pensar que podemos procurar por unidade em Cristo a menos que olhemos por santidade em Sua obediência, bem como pela compreensão da verdade que Ele revelou.

Cristo é o Cabeça da Igreja e permanece, em Sua misericórdia, usando a Igreja, por mais dividida que esteja, para tornar conhecida a sua verdade e unidade, e assim conduzir muitos ao caminho da santidade.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres, 1988

27 abril 2008

Páscoa VI

Leituras
Atos dos Apóstolos 8.5-8, 14-17
Salmo 66.8-20
I Carta de São Pedro 3.15-18
Evangelho de São João 14.15-21

A Esperança Cristã

“A primeira esperança de todo cristão é a esperança do céu: a primeira, a mais próxima, e a mais relevante dentre todas as esperanças. Parece surpreendente?
Seria o céu uma possibilidade distante demais para o nosso pensamento? Não... os humanos existem para a relação mais íntima possível com Deus; uma relação de comunhão e, em verdade, de amizade misturada com assombro e dependência.
Dar glória a Deus, na expressão bíblica, é gozar esta comunhão, chegar a refletir o caráter mesmo de Deus em seu amor transbordante, tendo a Deus humildemente no centro, e não a nós. Aqui está o status verdadeiro do ser humano, sua verdadeira liberdade e sua verdadeira destinação.
Não tenhas medo de olhar para o céu, já que o céu é o sentido mesmo de nossa existência, criada na semelhança de Deus e para a comunhão com Ele.
A consideração pelo céu está longe de ser mero escapismo pietista , até porque a essência do céu é amor sem egoísmo, o mesmo amor capaz de nos orientar a sairmos, sem termos ainda nos alimentado, para ajudar uma família que não dispõe alimento algum.”

Deftera Parousia, Agios Panteleimon Kloster, Heraklion

A Sabedoria de Deus na Criação

“A sabedoria de Deus trabalha na vida criada toda, além de ser, não menos, a sustentação e inspiração do pensamento e dos esforços humanos.
A Igreja reverenciará, portanto, toda atividade honesta das mentes humanas; e perceberá que aí o Espírito de Deus se move, temendo somente negar, em palavra e ação, este movimento... pois assim blasfemará contra o Espírito de Deus.
A sabedoria não pode ser apreendida em toda a sua plenitude. A mente e os olhos dos homens estão deformados pelo pecado e pela auto-adoração; a sabedoria que o Espírito de Deus derrama sobre o mundo pode levar à cegueira e à decepção, a menos que os homens encarem o fato do pecado e a necessidade de redenção.”

Extratos de Gateway to God
Arcebispo Michael Ramsey
Editado por Lorna Kendall, Darton, Longman and Todd, Londres 1988

25 abril 2008

Jornada teológica na Diocese Sul-Ocidental contou com participação do CEA e do SETEK.

Nos dias 18 e 19 do corrente, no Centro Diocesano de Itaara, o Revdo. Dr. Carlos Calvani (CEA) e D. Luiz. O. P. Prado (SETEK) desenvolveram uma jornada de estudo sobre o conteúdo dos Credos. A foto mostra o grupo de participantes.

22 abril 2008

Clérigos do Canadá visitam o SETEK

Dois clérigos da Diocese de Ontario, Canadá, após visita à Companheira, Diocese Sul-Ocidental, encontram alunos residentes do SETEK para relato e troca de experiências. O encontro ocorreu na manhã da Terça-feira última, dia 22 de Abril.

20 abril 2008

Páscoa V

Leituras do Domingo

Atos dos Apóstolos 6.1-7
Salmo 35.1-5, 15-16
I Carta de São Pedro 2.4-9
Evangelho de São João 14.1-12

Álvaro Pires de Évora, Cristo Ressuscitado, c. 1430

A Igreja e o Mundo

A Igreja seguirá Cristo no continuado serviço das necessidades humanas, os pobres, os famintos, os enfermos, os despossuídos e os desenraizados, sem outra razão que não a de aproximar-se mais de Cristo, com a humildade que suprime qualquer arrogância ou sentido de posse.
A Igreja precisa desafiar as pressuposições do mundo, mostrando que a maior necessidade dos seres humanos é a de sermos trazidos todos, na humildade e arrependimento, ao amor e obediência de Deus.
Em meio ao seu envolvimento no serviço da comunidade, a Igreja manterá vivos, para seus próprios membros, e se esforçará por fazê-lo também aos outros, três imutáveis temas do Evangelho:
O primeiro é o da prioridade do Perdão Divino como a chave para a ética cristã. A comunidade cristã é a comunidade perdoada; este é substrato da sua relação com Deus e da humildade do seu serviço aos homens.
O segundo tema é o Céu. O Céu dá sentido à nossa existência de agora; ele define a infinita dignidade de todo homem, mulher e criança; o Céu provê a perspectiva pela qual vemos os problemas da vida.
O terceiro tema é o da Adoração. Deve ser uma adoração não alienada da vida do mundo mas colocada bem em seu centro, uma prática de adoração e contemplação em meio aos negócios do mundo.

O Cristo Ressuscitado, Fra Angélico

O Sacerdote Cristão Hoje

Escravos de Cristo e servos dos homens. Será que podemos recapturar a verdade e a beleza desta vocação?
Primeiro, o sacerdote é aquele que aprende teologia e a ensina. Seu estudo é sério e constante, não por erudição mas para sermos simples.
Enquanto ensina os leigos o que não conseguiriam saber sem a sua ajuda, ele deve, o tempo todo, deles aprender sobre as questões às quais a teologia é aplicada.
Em seguida, o sacerdote representa na vida da Igreja a dimensão da Divina Reconciliação. Ele se descobrirá como uma das muitas agências que ajudam as almas oprimidas e isto, com diversas habilidades e recursos. Mas em tudo, caberá a ele representar a quase sempre esquecida dimensão do perdão de Deus aos contritos.
Assim também, o sacerdote será, de forma muito especial, o Homem de Oração.
O trabalho de pastor é trabalho de oração com a sua própria intensidade de tristeza e alegria.
Finalmente, e de uma forma que resume tudo, o sacerdote é o Homem da Eucaristia.
Seu ofício representa uma dimensão muito mais que local, mais que contemporânea, que é o contexto verdadeiro do rito no Evangelho e na Igreja Católica.

Extratos de Gateway to God
Arcebispo Michael Ramsey
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

13 abril 2008

Páscoa IV

A Santa Tradição na Igreja Anglicana

“Creio que a santa tradição está viva em nossa Igreja: pois, o que é mesmo a santa tradição a não ser o fluxo da vida divina, a vida mesma do Deus Encarnado e do Santo Espírito na Igreja?
Esta vida divina está nas Escrituras, na pregação do Evangelho, nos Sacramentos, nas vidas dos cristãos, na Comunhão dos Santos. Isto é a santa tradição.
Em nossa teologia anglicana não falamos dela exatamente como os Ortodoxos o fazem. Mas ela está aí, conosco e em nós. Nós acolhemos a Santa Escritura com o supremo direito de conferir e testar o que apropriadamente pertence ou não à santa tradição.
Devemos considerar seriamente a relação da Igreja enquanto eterna e a Igreja tal como encarnada no movimento da história, bem como a relação entre a verdade divina e as palavras nas quais a verdade divina toma corpo.
O trabalho teológico, a oração, a liturgia, a amizade e as ações conjuntas no sentido de encontrar as tristezas do mundo, tudo isto é parte do caminho da unidade.
A santa tradição é Deus feito carne, vivo e atuante na vida toda dos cristãos.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

A Igreja Histórica e a Igreja do Futuro

“A linguagem da estrutura é só uma dentre as metáforas para – Igreja – e todas as metáforas devem ser consideradas juntas: edifício, corpo, vinha, ecclesia.
Cada uma delas fala do ofertório de uma vez por todas da Igreja. E cada uma delas também fala do crescimento da Igreja em seu caminho de tornar-se perfeitamente o que é. Da metáfora do templo, por exemplo, brota uma outra metáfora, pois as pedras do templo são pedras vivas.
Nós apreciamos muito o dom da fé e ordem históricas, não como se fossem paredes de uma fortaleza fechada mas como dons de Deus que, ao mesmo tempo, testemunham o passado e servem ao edifício de um futuro ainda não cumprido. Esta compreensão e combinação de aspectos históricos e futuros em nossa compreensão da Igreja, pode ajudar em nossos esforços de combinar a lealdade à tradição com a sensibilidade aos movimentos contemporâneos.
Se esta for uma aventura difícil não é, no entanto, algo que ponha em risco as nossas almas. Antes, nossas almas podem correr risco se nos contentarmos, seja em repousar na tradição passada e impassível, bem como em compartilhá-la no entusiasmo contemporâneo, sem qualquer relação com o grande rio do testemunho dos cristãos através dos tempos.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd
Londres 1988

06 abril 2008

Páscoa III


A Santa Tradição e a Bíblia

“Tradição não significa que a Igreja tenha ensinamentos que se somem à Bíblia ou que seja um corpo adicional de revelação. Significa, antes, que é na vida comunitária, na adoração e na compreensão geral da comunidade cristã que o cristão se aprofunda na apreensão da mensagem bíblica.
A Tradição será nossa guia à interpretação da Bíblia através do apelo à vida e experiência da Igreja, desde os Pais antigos e daí em diante.
A Tradição será redescoberta não como um conjunto de normas doutrinais, mas como atividade viva da comunidade cristã, com seus membros servindo uns aos outros e servindo ao mundo, constituindo-se assim como o cenário corporificado pelo qual a mensagem da Bíblia é dinamicamente sentida e compreendida. A vida comunitária da Igreja interpretará a Bíblia não como protetora de seu conteúdo mas como o encontro divino-humano no qual a Palavra de Deus é ouvida.
É através deste trabalho de interpretação que a própria história da Bíblia, e suas categorias, se farão não menos... mas ainda de mais autoridade... ao declarar o sentido de Deus e o sentido do ser humano.”
Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988


A Santa Tradição: por que consideramos a era dos Pais da Igreja?

“Em meio a cenários culturais totalmente diferentes, clamando como o fazem por novas compreensões, por que olhamos ainda para a era dos Pais da Igreja? Aprendemos todo o possível de cada século cristão, mas olhamos para trás, para o tempo dos Pais, porque ele nos fala da entrega histórica de nossa fé e também por causa da continuada identidade da Santa Igreja Católica.
Importa muito que os Pais tenham levado a sério questões sobre a verdade que ainda convivem conosco... Importa que o Deus que é salvador do mundo é também do mundo o Criador, e importa também que este Deus não envia uma espécie de intermediário para nos trazer salvação mas dá do seu próprio ser para reunir a humanidade à Ele.
O recurso dos cristãos à história não é mera jornada ao passado, pois o passado está vivo e seus santos estão próximos de nós, na família que une a terra ao céu e o céu à terra.
Atanásio, Basílio e Crisóstomo, juntos com Ambrósio, Agostinho e Leo estão conosco nesta mesma família. Nós partilhamos com eles e com a Mãe de nosso Senhor, e com Deus, na adoração dos céus. Eles estão conosco na medida em que testemunhamos o Salvador num mundo escuro e tempestuoso.”
Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988