31 maio 2008

01 Junho de 2008 • Trindade II

Leituras

Deuteronômio 11.18, 26-28
Salmo 31
Carta aos Romanos 3.21-25, 28
Evangelho de São Mateus 7.21-27
A Fonte da Verdade

“Temos o Jesus retratado nos Evangelhos e Jesus como o Senhor vivo em meio ao seu povo: Jesus na Bíblia e Jesus no Bendito Sacramento.
Mas a doutrina de Cristo significa bem mais que o Jesus histórico.
Temos conosco o padrão de fé estabelecido no Credo, desde o “Deus Pai Todo-Poderoso” até “...a ressurreição dos mortos e a vida do mundo vindouro”. Não devemos tratar a doutrina do Credo como uma relação de itens impessoais, como se fosse uma pilha de tijolos. Tratemos o todo como a doutrina de Cristo, como tantos outros aspectos do mistério do qual ele é o centro.
O Pai Todo Poderoso declara seu poder principalmente ao mostrar misericórdia e perdão – misericórdia e perdão da Encarnação de Cristo. Novamente, a Santa Igreja Católica de Cristo é a família mesma de Cristo, seu lar. A Comunhão dos Santos é a companhia daqueles que refletem a glória de Cristo, e o céu é o gozo do brilho de Cristo. Veja a doutrina cristã desta forma e ela fará toda a diferença para seu estudo.
Considere o estudo mais como renovação profunda, de dentro, fonte cheia de vida que é o Cristo mesmo.”


As Riquezas de Cristo

“... nosso Senhor Jesus Cristo: ele era rico, mas se fez pobre por causa de vocês, para que vocês se tornassem ricos por meio de sua pobreza.”
II Carta aos Coríntios 8.9
As riquezas que Cristo reparte conosco são a Sua glória, Seu poder e Sua alegria.
A glória de Cristo é o amor que se doa, visto em Sua vida e morte. Ela reparte isso conosco e o faz em verdade pelo Bendito Sacramento. O poder de Cristo é uma forma de poder que os seres humanos acham difícil compreender: não é o poder do privilégio e da superioridade sobre outras pessoas, mas o poder mais sutil da influência amorosa, da conquista das mentes e consciências para a verdade.
Nós, cristãos, somos chamados a ter na glória de Cristo a nossa própria e no poder de Cristo, também o nosso. Com estes dons teremos a alegria.
Andemos até Belém mais uma vez. Vejamos o estábulo e a criança. E sabendo que Ele é Deus feito Homem, sabendo que Ele que é rico se fez pobre por nós, podemos ajoelhar no escuro e no frio que símbolos da frieza da raça humana, e rezar, com uma devoção que jamais tivemos antes, a doxologia ao final da Oração do Pai Nosso: “... pois Teu é o Reino, o poder e a glória, para sempre. Amém.”

Gateway to God , Arcebispo Michael Ramsey
Editado por Lorna Kendall – Darton, Longman and Todd, Londres 1989

24 maio 2008

25/05 • Trindade I

Jesus, Deus e homem

“Quando Deus se fez carne sua significação como Deus se aclarou.O ofertório de si mesmo, o tornar-se humano e o amor sofredor não foram acréscimos à experiência divina ou meros incidentes na história divina. Ao fazer-se homem, Deus revelou o sentido do que significa ser Deus. Vemos a glória no fazer-se carne porque é glória – além – e eterna.
Assim também em Jesus a raça humana descobre sua verdadeira significação. Os homens rejeitaram Jesus porque preferiram a glória humana à glória de Deus, como nos ensina São João em seu Evangelho.
A glória humana verdadeira é nele o reflexo da glória divina, o amor sacrificial como é visto em Jesus.
Assim, é em Jesus que vemos o ser humano se tornar seu verdadeiro eu, abrindo mão de si próprio, que é o que acontece quando o ser humano é possuído por Deus. O sentido do que é ser humano surge quando este se oferece como o lugar onde a divindade se cumpre, e a glória de um é a glória do outro.
A expressão – Homem para os outros – é iluminadora, mas não é a história toda, pois Deus criou o homem não só para os outros mas também para Ele mesmo.”



Jesus, o Senhor vivo

“Jesus, o Senhor vivo. O que significa mesmo isto para a humanidade através dos tempos? – O Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória.- Isto nos é terrivelmente familiar – o Evangelho dos dias de Natal. Recuemos um passo, no entanto, para perceber a admirável afirmação que está aí.
- Verbocarne - são ambas palavras bíblicas com sentido bem distintos.
- Verbo – Aquele que está vivo, ativo, o Criador divino.
- Carne – como expressão bíblica, denota o oposto. Carne significa o que é mortal, frágil, perecível, destinado a morrer.
- Assim, o contraste está entre aquele que é divino, partilhando da vida divina do Criador mesmo – o Deus vivo – e a vida humana inteira vivida em sua condição de criatura, fragilidade e mortalidade.
O sentido maior é o de que neste acontecimento o Verbo se fez carne; o divino tomou sobre si mesmo nossa condição verdadeira, frágil, a existência humana enquanto criatura.
Jesus é Senhor: Cremos na vida histórica de uma pessoa há mais de 2000 anos. Confessamos sua divindade exatamente como os primeiros crentes também o fizeram. Jesus está presente assim como esteve no passado: Ele é; Ele verdadeiramente é.”
Gateway to God
Arcebispo Michael Ramsey
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

20 maio 2008

Matrícula para os Cursos à Distância


O período para efetuar a matrícula para o segundo semestre de 2008 é de 21 de maio a 14 de junho.
Abaixo estão todas as informações sobre cada curso oferecido.
Se alguma informação que você deseja não está no blog, por favor entre em contato conosco através do e-mail ou telefone.

CURSOS OFERECIDOS

MODALIDADE FREQUENCIAL

Curso Superior de Teologia (em nível de graduação)
Duração mínima: 8 semestres
Créditos: as disciplinas têm créditos variados, de 2 a 4.
Local: SETEK – Av. Eng. Ludolfo Boehl, 278, Teresópolis – Porto Alegre – RS – CEP 91720-150
Condições mínimas para ingresso:
Certificado de Conclusão de Curso do Ensino Médio (antigo 2º grau).
Carta de apresentação do Bispo Diocesano.
1 foto 3x4.
Prova de seleção.
Preenchimento da ficha de matrícula.
Quando concluído: Certificado de Conclusão do Curso Livre Superior de Teologia.
Objetivo preferencial do curso: formação diaconal/sacerdotal.

MODALIDADE À DISTÂNCIA

Curso Livre Superior de Teologia (em nível de graduação).
Duração mínima: 10 semestres.
Número de créditos: 4 créditos por disciplina a cada semestre.
Número máximo de disciplinas por semestre: 4.
Núcleo-base do curso: SETEK.
Condições mínimas para o ingresso: as mesmas do curso anterior, além de pagamento (por semestre: janeiro a junho – julho a dezembro), por disciplina – ex: Liturgia I – 6 x R$ 55,00 de janeiro a junho, Liturgia II – 6 x R$ 55,00 de julho a dezembro).
Quando concluído: Certificado de Conclusão do Curso Livre Superior de Teologia à distância.
Objetivo preferencial do curso: formação ministerial, diaconal e sacerdotal.

Curso Livre de Imersão em Anglicanismo
Duração mínima: 2 semestres
Número de créditos: 4 créditos por disciplina a cada semestre.
Disciplinas: História do Anglicanismo I, História do Anglicanismo II, Leitura da Bíblia na Perspectiva Anglicana, Liturgia Anglicana, Teologia Anglicana.
Núcleo-base do curso: SETEK.
Condições mínimas para ingresso:
Carta de apresentação do Bispo Diocesano (ou de um clérigo da IEAB, para alunos de outras denominações).
1 foto 3x4.
Preenchimento da ficha de matrícula.
Quando concluído: Certificado de Conclusão do Curso Livre de Imersão em Anglicanismo à distância.
* O valor a ser pago pelo curso, por disciplina, é o mesmo do Curso Livre Superior de Teologia.

Curso Livre de Aprofundamento de Estudos Teológicos
Duração mínima: 2 semestres.
Disciplinas oferecidas no momento: Patrística, Teologia Anglicana.
Núcleo-base do curso: SETEK.
Condições mínimas para ingresso:
Certificado /Diploma de Curso Superior de Teologia, ser clérigo ou postulante às Sagradas Ordens na IEAB.

Diploma/Certificado de Curso Superior de Teologia.
1 foto 3x4.
Preenchimento da ficha de inscrição.
Quando concluído: Certificado de Conclusão do Curso de Aprofundamento de Estudos Teológicos à distância.
* O valor a ser pago pelo curso, por disciplina, é o mesmo do Curso Livre Superior de Teologia.


*IMPORTANTE:
Todo/a aquele/a que desejar cursar uma das modalidades dos Cursos à Distância, deve estar, de alguma forma, ligado/a a um/a clérigo/a ou paróquia da IEAB. Para mais detalhes, entrar em contato com a secretaria do SETEK.

* Informações atualizadas no dia 19 de maio de 2008

CURSO LIVRE SUPERIOR DE TEOLOGIA À DISTÂNCIA

OBJETIVO:

O curso visa oferecer uma formação na área de conhecimento Teológico a pessoas que desejam instrumentalizar-se, estudar, refletir e "fazer teologia", aspirando ou não ao Ministério Ordenado da IEAB, sendo ênfases do curso a reflexão pastoral, teológica e missionária.


PÚBLICO – ALVO:

Membros de todas as Dioceses da IEAB, bem como dos Distritos Missionários, que poderão realizar o curso como alunos/as regulares ou especiais.


CONDIÇÕES PARA INGRESSO:

Para estudantes regulares: exigência mínima de Certificado de Conclusão de Curso de Ensino Médio completo.
Para estudantes regulares e especiais: carta de apresentação do Pároco/a do/a candidato/a, endossada pelo Revmo. Bispo Diocesano; preenchimento de Ficha de Inscrição para o curso;

DISCIPLINAS OFERECIDAS / GRADE CURRICULAR DO CURSO LIVRE SUPERIOR DE TEOLOGIA À DISTÂNCIA:

1° semestre:
Introdução à Bíblia – 4 créditos
Introdução à Psicologia – 4 créditos
Liturgia I – 4 créditos
Filosofia – 4 créditos

2° semestre:
História e Geografia de Israel – 4 créditos
Teologia Sistemática – 4 créditos
Psicologia da Relações Humanas – 4 créditos
Liturgia II – 4 créditos

3° semestre:
Literatura do Antigo Testamento – 4 créditos
História da Igreja – 4 créditos
Teologia Sistemática – 4 créditos
Análise de Conjuntura – 4 créditos

4° semestre
Literatura do Antigo Testamento – 4 créditos
História da Igreja – 4 créditos
Teologia Sistemática – 4 créditos
Teologia Metodologia Pastoral – 4 créditos

5° semestre
Literatura do Novo Testamento – 4 créditos
História da Igreja – 4 créditos
Teologia Sistemática – 4 créditos
Teologia Metodologia Pastoral – 4 créditos

6° semestre
Literatura do Novo Testamento – 4 créditos
História da Igreja – 4 créditos
Teologia Sistemática – 4 créditos
Missiologia – 4 créditos

7° semestre
Teologia Bíblica do Antigo Testamento – 4 créditos
História da Igreja – 4 créditos
Ética – 4 créditos
Missiologia – 4 créditos

8° semestre
Teologia Bíblica do Novo Testamento – 4 créditos
História da Igreja – 4 créditos
Teologia Anglicana – 4 créditos
Ecumenismo – 4 créditos

9° semestre
História do Pensamento Cristão – 4 créditos
Teologia Anglicana – 4 créditos
Educação Cristã – 4 créditos
Administração Paroquial e Cânones – 4 créditos

10° semestre
História do Pensamento Cristão – 4 créditos
Homilética – 4 créditos
Educação Cristã – 4 créditos
Administração Paroquial e Cânones – 4 créditos

Obs.: Um crédito é equivalente a 15 horas/ aula.

CUSTOS:

Os/as candidatos/as poderão matricular-se por disciplina.
Cada uma delas tem o custo mensal de R$ 55,00. Assim, no 1° semestre, deverão ser pagas 6 parcelas desse valor, o mesmo acontecendo no 2° semestre, totalizando 12 parcelas. O valor atual poderá ser reajustado de acordo com as necessidades.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

Para informações de como efetuar o pagamento, entre em contato diretamente com a secretaria do SETEK.
A cada ano são oferecidas 8 disciplinas diferentes, permitindo ao/à candidato/a concluir o seu curso, se se matricular em todas as disciplinas, no prazo mínimo de 10 semestres, ou seja, 5 anos.

DOCUMENTOS EM ANEXO:

Ficha de Inscrição a ser devolvida até o final do prazo de matrícula.

* A assinatura do Bispo Diocesano na ficha de inscrição é necessária apenas para aqueles alunos que desejam uma formação para o Ministério Ordenado. Para os que querem somente cursar Teologia, sem a intenção de ordenação, é necessária apenas a assinatura do/a reverendo/a.

* Para o segundo semestre de 2008 a data de matrícula é de 21 de maio a 14 de junho.

O Curso Livre Superior de Teologia à Distância é em nível de graduação e o SETEK é reconhecido pela ASTE ( Associação dos Seminários Teológicos Evangélicos).

Toda a correspondência para o SETEK poderá ser enviada para:

Seminário Teológico Dom Egmont Machado Krischke
Av. Engº. Ludolfo Boehl, 278 – Porto Alegre – RS – 91720-150
Fone em horário comercial ( 51) 3318.6122
Endereços eletrônicos:

lprado@ieab.org.br
vera.oliveira@terra.com.br
setek@terra.com.br

*IMPORTANTE:
Todo/a aquele/a que desejar cursar a modalidade acima descrita, deve estar, de alguma forma, ligado/a a um/a clérigo/a ou paróquia da IEAB. Para mais detalhes, entrar em contato com a secretaria do SETEK.

* Informações atualizadas no dia 19 de maio de 2008

CURSO LIVRE DE IMERSÃO EM ANGLICANISMO

O Curso Livre de Imersão em Anglicanismo à Distância é para quem, preferencialmente, já fez Curso Superior de Teologia em outra Instituição.
O Curso Livre de Imersão em Anglicanismo à Distância, tem a duração de dois semestres e as disciplinas oferecidas são:


1º semestre:

História do Anglicanismo I
Teologia Anglicana

2º semestre:

História do Anglicanismo II
Liturgia Anglicana
Leitura da Bíblia na Perspectiva anglicana


São documentos necessários para o ingresso no curso, o que segue:
Certificado de Conclusão de Curso de Ensino Superior completo;
Carta de apresentação do Bispo Diocesano, Pároco/a ou Delegado Episcopal;
Ficha de Inscrição, a ser reproduzida individualmente (enviada após o estudante confirmar o interesse).
1 foto 3x4

O valor do curso é R$ 55,00 mensais, por disciplina, em 6 parcelas, ou seja;
Para 1(uma) disciplina = 55,00 x 6 = 330,00.
Para informações de como efetuar o pagamento, entre em contato diretamente com a secretaria do SETEK.


SÓ TERÁ DIREITO A EXAME FINAL O/A ESTUDANTE QUE ESTIVER COM SEUS PAGAMENTOS EM DIA.

Vale para o Curso Livre de Imersão em Anglicanismo o mesmo documento básico do Curso Livre Superior de Teologia à Distância do SETEK.

* A data para efetuar a matrícula para o segundo semestre de 2008 é de 21 de maio a 14 de junho. O pagamento deverá ser efetuado até o dia 10 de cada mês.

O estudante receberá o material e as orientações dos professores após enviar a ficha de inscrição e efetuar o pagamento da primeira parcela, pois esta corresponde a taxa de matrícula.

Obs.: A Ficha de Inscrição será enviada mediante interesse na matrícula.
Solicitamos o retorno da ficha de inscrição e pagamento da primeira parcela dentro do prazo previsto, caso seja do seu interesse realizar o curso apresentado acima, para o devido encaminhamento do material. É embaraçoso falar, mas o cumprimento do compromisso do pagamento é importante para nós, pois este curso é bastante oneroso para o SETEK.
Qualquer dúvida relacionada ao presente curso entre em contato com o Seminário por email ou telefone: (51) 3318.6122
O seguinte endereço eletrônico está à disposição:
setek@terra.com.br

*IMPORTANTE:
Todo/a aquele/a que desejar cursar a modalidade acima descrita, deve estar, de alguma forma, ligado/a a um/a clérigo/a ou paróquia da IEAB. Para mais detalhes, entrar em contato com a secretaria do SETEK.

* Informações atualizadas no dia 19 de maio de 2008

17 maio 2008

17/05 • Domingo da Santíssima Trindade

Leituras
Gênesis 1.1-2.4a
II Carta aos Coríntios 13.11-13
Evangelho de São Mateus 28.16-20

O Reino de Deus

“Jesus anunciou o Reino de Deus como o Seu propósito realizado no espectro todo da existência humana, física e espiritual. Contemplando a visão inteira do Reino de Deus, compreendemos que na mente de Jesus a mente física de um ser humano, embora tão importante, não é um fim em si mesma; é só uma porção da vida humana que existe para fazer a vontade de Deus e refletir sua retidão e seu amor.
Aí vemos Jesus, na continuação da história, como que retirando-se de seu trabalho de cura, mesmo sendo tão próximo de seu coração, passando a concentrar-se no tema mais crucial do pecado e do perdão dos pecados. É no cenário do pecado, de seu perdão e no estabelecimento da retidão que o núcleo mais central do Reino de Deus se estabelecerá.
Sempre de novo Jesus insiste que todos devem se arrepender, todos devem rezar, - perdoa os nossos pecados – e o perdão se mostra como dentre os grandes dons que Jesus traz.
O Reino está, de forma maravilhosa, corporificado em Jesus mesmo e sua pessoa. Onde Ele estiver, aí estará o Reino; estar com Ele e aceitá-lo é aceitar o Reino de Deus”.

Deus é como Cristo

“A importância da confissão – Jesus é Senhor – consiste não só em que Jesus é divino mas que Deus é como o Cristo. Deus é como o Cristo e nEle nada há que não seja assim.
Deus é como o Cristo significa que Sua Paixão e Ressurreição são a chave para a significação mesma da divindade de Deus. Há, no universo, ou além dele, alguma coerência, sentido, padrão ou soberania? A doutrina do Novo Testamento é que na morte e Ressurreição de Jesus, no fato do seu viver através do morrer, achando a vida ao perdê-la, de ganhá-la ao entregá-la, aí está a soberania. Crer nisto com bem mais que simples assentimento intelectual é crer existencialmente, e crer existencialmente significa seguir o caminho que encontra a vida pela sua perda.
Toda manifestação do poder de Deus no mundo ocorre através de dor e custo, e todo crescimento nosso em santidade e semelhança ao Cristo acontece também pela dor e custo. A graça de Deus pode transformar a dor e o custo em algo maravilhoso, e por isso rezamos que o maligno não os use para seus maus propósitos.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres, 1988

09 maio 2008

11/05 • Domingo de Pentecostes

Leituras

Atos dos Apóstolos 2.1-11
Salmo 104:24-34, 35b
I Carta aos Coríntios 12.3-7, 12-13
Evangelho de São João 20.19-23

A Sabedoria de Deus na Cruz

“A Igreja proclama a sabedoria de Deus, anunciada em sua essência na crucifixão de Jesus Cristo, uma sabedoria aprendida ao chegarem os homens à crise do arrependimento e ao conseqüente conhecimento de si próprios e de Deus.

A sabedoria da Cruz, à primeira vista, parece negar a sabedoria do Espírito de Deus no mundo criado; ela escandaliza o sentido humano do bem e do belo.

Mas os cristãos, tendo sido os primeiros a defrontar-se com o escândalo, descobrem na Cruz a chave para o sentido de toda a Criação. A Cruz abre seus segredos e suas tristezas, além de interpretá-los em termos de poder de Deus.

A Cruz é o lugar onde a teologia da Igreja recebe sua significação, onde a unidade da Igreja é uma realidade profundamente presente, e onde a Igreja mostra desde já a paz de Deus e o pão dos céus a todas as nações da terra.”


A sabedoria de Deus na Igreja

“A sabedoria anunciada na Cruz criou a Igreja e se expressa pela Igreja, em sua vida como Corpo de Cristo crucificado e ressurreto.

O trabalho da Igreja ao pensar, interpretar e ensinar é inseparável da vida mesma da Igreja em Cristo. Sua autoridade é Cristo mesmo, reconhecido na edificação do Corpo, em verdade e amor. Assim, - ortodoxia – significa não só opinião certa mas – adoração certa – ou, glória verdadeira – segundo o sentido bíblico da palavra – doxa; pois vida, pensamento e adoração são atividades inseparáveis no Corpo de Cristo.

Como Jesus, em meio ao seus atos de cura e nutrição movia-se também na direção da morte, assim é com a Igreja. É que a Igreja existe para algo mais profundo que filantropia e reforma, a saber, para ensinar os homens a morrer para si e confiar numa ressurreição para uma vida nova. Ela envolve este e o outro mundo, jamais podendo ser completamente compreendida aqui, intrigando sempre aos idealistas do mundo. Assim, como Corpo de Cristo crucificado e ressurreto, a Igreja aponta aos homens uma unidade e paz que nós humanos geralmente não compreendemos nem desejamos.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

04 maio 2008

Páscoa VII • Domingo após a Festa da Ascensão do Senhor

Leituras

Atos dos Apóstolos 1.6-14
Salmo 68.1-10, 32-35
I Carta de São Pedro 4.12-14; 5.6-11
Evangelho de São João 17.1-11

Como pensar sobre o Céu?

“Em sua Cidade de Deus, Santo Agostinho fala sobre o Céu: - Descansaremos e veremos, veremos e seremos amados, amaremos e louvaremos, no final que não é o fim.

Descanso: Estaremos livres da correria e das atividades inconvenientes em que nos colocamos e nos expomos em nossa atitude, centrados em nós mesmos.
Descansando, descobriremos que vemos de outra forma, sem os antigos obstáculos. Veremos nosso próximo tal qual é mesmo, criaturas e filhos de Deus em quem está a imagem divina, e esta imagem se tornará visível em nós de forma nova. Nós também nos veremos a nós mesmos como criaturas de Deus infinitamente pequenas: e começaremos a ver Deus em Sua beleza.

Vendo, amaremos, pois como não amaríamos Deus em Sua beleza, e como não amaríamos nosso próximo em quem a imagem de Deus é agora visível a nós?

Louvor será a última palavra, pois tudo é de Deus e nada resulta de nossa própria realização, e conheceremos a profundidade da gratidão e da adoração.
Este é o Céu para o qual fomos criados.”

Santidade

A idéia de santidade encontra uma ênfase nova na Igreja primitiva. Na nova aliança o papel de – nação santa – é assumido pelos cristãos; são eles a ecclesia de Deus, chamados para ser santos, raça eleita, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus (I S. Pedro 2.9).

O uso de hoi hagioi, os santos, como a descrição normal para os cristãos, renova a ênfase nova e imensa sobre a santidade no Cristianismo.

Assim, a vida no Espírito é santidade.

Acolhendo a santidade no chamamento de Deus e o no Espírito da santidade, a Igreja cresce no caminho da santidade de Cristo.

Unidade, santidade, verdade; assim como a oração do Grande Sumo Sacerdote é indivisível, assim também o seu cumprimento. Em nada ajuda pensar que podemos procurar por unidade em Cristo a menos que olhemos por santidade em Sua obediência, bem como pela compreensão da verdade que Ele revelou.

Cristo é o Cabeça da Igreja e permanece, em Sua misericórdia, usando a Igreja, por mais dividida que esteja, para tornar conhecida a sua verdade e unidade, e assim conduzir muitos ao caminho da santidade.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres, 1988

27 abril 2008

Páscoa VI

Leituras
Atos dos Apóstolos 8.5-8, 14-17
Salmo 66.8-20
I Carta de São Pedro 3.15-18
Evangelho de São João 14.15-21

A Esperança Cristã

“A primeira esperança de todo cristão é a esperança do céu: a primeira, a mais próxima, e a mais relevante dentre todas as esperanças. Parece surpreendente?
Seria o céu uma possibilidade distante demais para o nosso pensamento? Não... os humanos existem para a relação mais íntima possível com Deus; uma relação de comunhão e, em verdade, de amizade misturada com assombro e dependência.
Dar glória a Deus, na expressão bíblica, é gozar esta comunhão, chegar a refletir o caráter mesmo de Deus em seu amor transbordante, tendo a Deus humildemente no centro, e não a nós. Aqui está o status verdadeiro do ser humano, sua verdadeira liberdade e sua verdadeira destinação.
Não tenhas medo de olhar para o céu, já que o céu é o sentido mesmo de nossa existência, criada na semelhança de Deus e para a comunhão com Ele.
A consideração pelo céu está longe de ser mero escapismo pietista , até porque a essência do céu é amor sem egoísmo, o mesmo amor capaz de nos orientar a sairmos, sem termos ainda nos alimentado, para ajudar uma família que não dispõe alimento algum.”

Deftera Parousia, Agios Panteleimon Kloster, Heraklion

A Sabedoria de Deus na Criação

“A sabedoria de Deus trabalha na vida criada toda, além de ser, não menos, a sustentação e inspiração do pensamento e dos esforços humanos.
A Igreja reverenciará, portanto, toda atividade honesta das mentes humanas; e perceberá que aí o Espírito de Deus se move, temendo somente negar, em palavra e ação, este movimento... pois assim blasfemará contra o Espírito de Deus.
A sabedoria não pode ser apreendida em toda a sua plenitude. A mente e os olhos dos homens estão deformados pelo pecado e pela auto-adoração; a sabedoria que o Espírito de Deus derrama sobre o mundo pode levar à cegueira e à decepção, a menos que os homens encarem o fato do pecado e a necessidade de redenção.”

Extratos de Gateway to God
Arcebispo Michael Ramsey
Editado por Lorna Kendall, Darton, Longman and Todd, Londres 1988

25 abril 2008

Jornada teológica na Diocese Sul-Ocidental contou com participação do CEA e do SETEK.

Nos dias 18 e 19 do corrente, no Centro Diocesano de Itaara, o Revdo. Dr. Carlos Calvani (CEA) e D. Luiz. O. P. Prado (SETEK) desenvolveram uma jornada de estudo sobre o conteúdo dos Credos. A foto mostra o grupo de participantes.

22 abril 2008

Clérigos do Canadá visitam o SETEK

Dois clérigos da Diocese de Ontario, Canadá, após visita à Companheira, Diocese Sul-Ocidental, encontram alunos residentes do SETEK para relato e troca de experiências. O encontro ocorreu na manhã da Terça-feira última, dia 22 de Abril.

20 abril 2008

Páscoa V

Leituras do Domingo

Atos dos Apóstolos 6.1-7
Salmo 35.1-5, 15-16
I Carta de São Pedro 2.4-9
Evangelho de São João 14.1-12

Álvaro Pires de Évora, Cristo Ressuscitado, c. 1430

A Igreja e o Mundo

A Igreja seguirá Cristo no continuado serviço das necessidades humanas, os pobres, os famintos, os enfermos, os despossuídos e os desenraizados, sem outra razão que não a de aproximar-se mais de Cristo, com a humildade que suprime qualquer arrogância ou sentido de posse.
A Igreja precisa desafiar as pressuposições do mundo, mostrando que a maior necessidade dos seres humanos é a de sermos trazidos todos, na humildade e arrependimento, ao amor e obediência de Deus.
Em meio ao seu envolvimento no serviço da comunidade, a Igreja manterá vivos, para seus próprios membros, e se esforçará por fazê-lo também aos outros, três imutáveis temas do Evangelho:
O primeiro é o da prioridade do Perdão Divino como a chave para a ética cristã. A comunidade cristã é a comunidade perdoada; este é substrato da sua relação com Deus e da humildade do seu serviço aos homens.
O segundo tema é o Céu. O Céu dá sentido à nossa existência de agora; ele define a infinita dignidade de todo homem, mulher e criança; o Céu provê a perspectiva pela qual vemos os problemas da vida.
O terceiro tema é o da Adoração. Deve ser uma adoração não alienada da vida do mundo mas colocada bem em seu centro, uma prática de adoração e contemplação em meio aos negócios do mundo.

O Cristo Ressuscitado, Fra Angélico

O Sacerdote Cristão Hoje

Escravos de Cristo e servos dos homens. Será que podemos recapturar a verdade e a beleza desta vocação?
Primeiro, o sacerdote é aquele que aprende teologia e a ensina. Seu estudo é sério e constante, não por erudição mas para sermos simples.
Enquanto ensina os leigos o que não conseguiriam saber sem a sua ajuda, ele deve, o tempo todo, deles aprender sobre as questões às quais a teologia é aplicada.
Em seguida, o sacerdote representa na vida da Igreja a dimensão da Divina Reconciliação. Ele se descobrirá como uma das muitas agências que ajudam as almas oprimidas e isto, com diversas habilidades e recursos. Mas em tudo, caberá a ele representar a quase sempre esquecida dimensão do perdão de Deus aos contritos.
Assim também, o sacerdote será, de forma muito especial, o Homem de Oração.
O trabalho de pastor é trabalho de oração com a sua própria intensidade de tristeza e alegria.
Finalmente, e de uma forma que resume tudo, o sacerdote é o Homem da Eucaristia.
Seu ofício representa uma dimensão muito mais que local, mais que contemporânea, que é o contexto verdadeiro do rito no Evangelho e na Igreja Católica.

Extratos de Gateway to God
Arcebispo Michael Ramsey
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

13 abril 2008

Páscoa IV

A Santa Tradição na Igreja Anglicana

“Creio que a santa tradição está viva em nossa Igreja: pois, o que é mesmo a santa tradição a não ser o fluxo da vida divina, a vida mesma do Deus Encarnado e do Santo Espírito na Igreja?
Esta vida divina está nas Escrituras, na pregação do Evangelho, nos Sacramentos, nas vidas dos cristãos, na Comunhão dos Santos. Isto é a santa tradição.
Em nossa teologia anglicana não falamos dela exatamente como os Ortodoxos o fazem. Mas ela está aí, conosco e em nós. Nós acolhemos a Santa Escritura com o supremo direito de conferir e testar o que apropriadamente pertence ou não à santa tradição.
Devemos considerar seriamente a relação da Igreja enquanto eterna e a Igreja tal como encarnada no movimento da história, bem como a relação entre a verdade divina e as palavras nas quais a verdade divina toma corpo.
O trabalho teológico, a oração, a liturgia, a amizade e as ações conjuntas no sentido de encontrar as tristezas do mundo, tudo isto é parte do caminho da unidade.
A santa tradição é Deus feito carne, vivo e atuante na vida toda dos cristãos.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

A Igreja Histórica e a Igreja do Futuro

“A linguagem da estrutura é só uma dentre as metáforas para – Igreja – e todas as metáforas devem ser consideradas juntas: edifício, corpo, vinha, ecclesia.
Cada uma delas fala do ofertório de uma vez por todas da Igreja. E cada uma delas também fala do crescimento da Igreja em seu caminho de tornar-se perfeitamente o que é. Da metáfora do templo, por exemplo, brota uma outra metáfora, pois as pedras do templo são pedras vivas.
Nós apreciamos muito o dom da fé e ordem históricas, não como se fossem paredes de uma fortaleza fechada mas como dons de Deus que, ao mesmo tempo, testemunham o passado e servem ao edifício de um futuro ainda não cumprido. Esta compreensão e combinação de aspectos históricos e futuros em nossa compreensão da Igreja, pode ajudar em nossos esforços de combinar a lealdade à tradição com a sensibilidade aos movimentos contemporâneos.
Se esta for uma aventura difícil não é, no entanto, algo que ponha em risco as nossas almas. Antes, nossas almas podem correr risco se nos contentarmos, seja em repousar na tradição passada e impassível, bem como em compartilhá-la no entusiasmo contemporâneo, sem qualquer relação com o grande rio do testemunho dos cristãos através dos tempos.”

Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd
Londres 1988

06 abril 2008

Páscoa III


A Santa Tradição e a Bíblia

“Tradição não significa que a Igreja tenha ensinamentos que se somem à Bíblia ou que seja um corpo adicional de revelação. Significa, antes, que é na vida comunitária, na adoração e na compreensão geral da comunidade cristã que o cristão se aprofunda na apreensão da mensagem bíblica.
A Tradição será nossa guia à interpretação da Bíblia através do apelo à vida e experiência da Igreja, desde os Pais antigos e daí em diante.
A Tradição será redescoberta não como um conjunto de normas doutrinais, mas como atividade viva da comunidade cristã, com seus membros servindo uns aos outros e servindo ao mundo, constituindo-se assim como o cenário corporificado pelo qual a mensagem da Bíblia é dinamicamente sentida e compreendida. A vida comunitária da Igreja interpretará a Bíblia não como protetora de seu conteúdo mas como o encontro divino-humano no qual a Palavra de Deus é ouvida.
É através deste trabalho de interpretação que a própria história da Bíblia, e suas categorias, se farão não menos... mas ainda de mais autoridade... ao declarar o sentido de Deus e o sentido do ser humano.”
Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988


A Santa Tradição: por que consideramos a era dos Pais da Igreja?

“Em meio a cenários culturais totalmente diferentes, clamando como o fazem por novas compreensões, por que olhamos ainda para a era dos Pais da Igreja? Aprendemos todo o possível de cada século cristão, mas olhamos para trás, para o tempo dos Pais, porque ele nos fala da entrega histórica de nossa fé e também por causa da continuada identidade da Santa Igreja Católica.
Importa muito que os Pais tenham levado a sério questões sobre a verdade que ainda convivem conosco... Importa que o Deus que é salvador do mundo é também do mundo o Criador, e importa também que este Deus não envia uma espécie de intermediário para nos trazer salvação mas dá do seu próprio ser para reunir a humanidade à Ele.
O recurso dos cristãos à história não é mera jornada ao passado, pois o passado está vivo e seus santos estão próximos de nós, na família que une a terra ao céu e o céu à terra.
Atanásio, Basílio e Crisóstomo, juntos com Ambrósio, Agostinho e Leo estão conosco nesta mesma família. Nós partilhamos com eles e com a Mãe de nosso Senhor, e com Deus, na adoração dos céus. Eles estão conosco na medida em que testemunhamos o Salvador num mundo escuro e tempestuoso.”
Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

30 março 2008

Páscoa II

A Igreja e a Glória de Cristo

“Dei a eles a glória que me deste, para que possam ser um, assim como tu e eu somos um.”
São João 17.22

“Aqui está a significação da Igreja. É o mistério da participação de homens e mulheres na glória de Cristo. Batizados em sua morte e tendo sido feitos participantes na sua Ressurreição, são agora membros do Corpo de Cristo, ramos da vinha que é Cristo.
Nela habitando a glória, a Igreja é o templo de Deus. Mas a glória na Igreja é uma glória invisível. Embora a Igreja seja visível, a glória não pode ser confundida com majestade e esplendor terreno, pois é glória somente discernível pela fé.
Somente na parousia a glória será visível. A glória na Igreja é uma amostra da glória que está por vir. Aqui, os poderes da era vindoura já trabalham na humilhação da Igreja: , a visão aberta da glória espera a Igreja no dia em que o julgamento começar, na casa de Deus. Separada deste contexto escatológico a doutrina da Igreja se torna a doutrina de uma instituição dentre outras no plano da história.”
Arcebispo Michael Ramsey
Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

White Crucifixion, 1938
Marc Chagall (1887-1985)

“Nos primeiros dias do Cristianismo um – apóstolo – era antes de tudo um homem que afirmava ser testemunha ocular da Ressurreição. Alguns dias mais tarde, depois da Crucifixão, quando dois candidatos eram considerados para a vaga criada pela traição de Judas, sua qualificação era a de que haviam conhecido Jesus pessoalmente, tanto antes quanto depois da Sua morte e podiam, falando aos de fora, oferecer um testemunho em primeira mão da Ressurreição (Atos dos Apóstolos 1.22)...
A Ressurreição é o tema central em toda pregação cristã reportada em Atos dos Apóstolos. A Ressurreição e suas conseqüências, eram o Evangelho – ou as boas novas – que os cristãos apresentavam: aquilo que nós chamamos de – evangelhos -, ou narrativas da vida e morte de nosso Senhor, foram compostos mais tarde, para o benefício daqueles que já haviam aceito o Evangelho! Estes documentos não foram de fato a base do Cristianismo: eles foram escritos para os já convertidos. O milagre da Ressurreição, e a teologia daquele milagre, vêm primeiro: a biografia viria mais tarde, quase que como um comentário...
Quando os escritores contemporâneos falam da Ressurreição, usualmente significam um momento particular – a descoberta do Túmulo Vazio e a aparição de Jesus a poucos passos dali. O relato daqueles momentos é o que os apologistas buscam apoiar e defender... e os céticos se esforçam por desacreditar. Mas esta concentração quase exclusiva naqueles primeiros cinco minutos, mais ou menos, da Ressurreição, teria desconcertado os primeiros mestres cristãos. Ao clamar terem visto a Ressurreição eles não estavam necessariamente afirmando terem presenciado aquele primeiro evento . Alguns deles, sim o viram. Outros não. Aquele primeiro – encontro – não tinha importância maior que qualquer outra das aparições de Jesus ressurreto... a não ser pela importância dramática e poética que as experiências iniciais costumam ter.O que eles afirmavam era que todos eles, uma ou outra vez, encontraram Jesus durante as seis ou sete semanas que se seguiram à Sua morte. Por vezes parece terem estado sozinhos, mas uma ocasião os Doze estavam juntos ao encontrá-lo... e ainda em outra ocasião, perto de mais ou menos quinhentos deles...sendo que, segundo São Paulo, a maior parte deles estava ainda viva quando escreveu a I Carta aos Coríntios, isto é, em torno do ano 55.”
C.S. Lewis, Miracles
William Collins Sons, 1974

23 março 2008

Festa da Ressurreição do Senhor

Páscoa

“... ainda não tinham compreendido que, conforme a Escritura, ele devia ressuscitar dos mortos.”

São João 20.1-10

Jesus fora ressuscitado, erguido a uma vida nova e um a modo glorioso de ser. A Encarnação bem como a missão inteira de Jesus não é somente espiritual. É começo da re-criação do mundo por Ele feito. Essa era a fé da igreja apostólica.
Não poderia haver demora no túmulo. A Ressurreição inaugura uma nova ordem. Maria Madalena não se pode prender ao momento, ela deve sair e contar aos discípulos que Jesus está a caminho para a subida ao céu.
Os discípulos, alegrando-se na presença de Jesus ao entardecer da Páscoa, são enviados em missão ao mundo, como Jesus mesmo o fora, enviado pelo Pai.
É assim que todos, devemos olhar para frente.

Arcebispo Michael Ramsey
Daily Readings with Michael Ramsey

Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman, and Todd. Londres, 1988




“A alegria da Ressurreição é algo que nós também devemos aprender a experimentar, mas só a podemos experimentar se primeiro aprendemos a tragédia da Cruz. Para ressuscitar precisamos morrer. Morrer para nosso egoísmo arrogante, morrer para nossos temores, morrer para tudo o que faça o mundo tão estreito, tão frio, tão pobre, tão cruel. Precisamos morrer para que nossas almas possam viver, possam regozijar-se e descobrir a fonte da vida. Sendo assim, então a Ressurreição de Cristo descerá também à nós. Mas sem a morte na Cruz, não há Ressurreição, a Ressurreição que é alegria, alegria de vida redescoberta, a alegria pela vida que ninguém nos pode tirar, jamais! É alegria pela vida super abundante, alegria que como um riacho corre e desce as montanhas, carregando consigo mesma o próprio céu refletindo em suas águas cheias de vida. A Ressurreição de Cristo é realidade na história tanto quanto sua morte na Cruz, e é porque pertence à história que nelas cremos. Não é só com nossos corações mas com a totalidade de nossa experiência que conhecemos ao Cristo ressurreto. Nós podemos conhece-lo dia após dia, como os apóstolos também o conheceram. Não o Cristo da carne, nem o Cristo visto na solidão pelas pessoas que o cercavam nos dias da sua vida terrena, mas o Cristo vivo, sempre presente. O Cristo do espírito, de quem São Paulo fala, o Cristo Ressurreto que pertence ao tempo e à eternidade, porque Ele morreu uma vez sobre a Cruz mas vive para sempre.”

Arcebispo Anthony Bloom
Meditations on a Theme
A. R. Mowbray, 1972

16 março 2008

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

Ao Calvário
São João 19.17-23

“Jesus saiu carregando a sua cruz para o lugar chamado Calvário.”
“Assim como no Jardim, breve no Calvário, enquanto São Marcos mostra as trevas e a solidão, São João mostra a glória. Não há inconsistência. É na auto entrega profunda de Jesus à solidão e morte que a glória de fato brilha.
Majestosamente, Jesus carrega sua própria cruz, e Ele caminha como alguém que tem o poder de dar sua própria vida e poder, para retomá-los novamente. Pilatos, num golpe final de obstinação, insiste no título sobre a cruz, como – O Rei dos Judeus – e a escrita sendo em latim e grego, como símbolo da soberania de Jesus sobre todas as nações. – Anunciai aos pagãos que o Senhor é Rei. - Lembramos os gregos que vieram no Domingo de Ramos e disseram: - Senhor, gostaríamos de ver Jesus - , e Jesus falou sobre o sinal da atração de todos os humanos à Si mesmo. Muitos gregos e o povo de toda raça se aproximarão ainda do Calvário nos séculos que virão...
A Vitória
São João 19.28-30

“Está consumado.”
“Aqui não se trata de derrota que necessite de ressurreição para revertê-la. Antes, é uma vitória para assinalar que a Páscoa vem logo para selá-la. A vitória tem a ver tanto com o pecado como com o sofrimento.
O pecado já fizera o seu pior, mas aqui temos a retidão sem fracasso. O sofrimento também fizera todo o seu mal, mas Jesus estava suficientemente acostumado com ele, ao ponto de transfigurá-lo.
A glória aqui está, e por todos os tempos os pecadores e sofredores podem, pela fé, confiar na vitória de Jesus: o pecado foi conquistado e o sofrimento transfigurado. Na I Carta de São João lemos: - Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. (I São João 5.4)
Rezamos por fé na vitória de Cristo. Oremos para que os que os que sofrem, saibam que podem ter tua consolação.”

Gateway to God
Arcebispo Michael Ramsey
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

09 março 2008

SETEK - III Curso de Verão

SETEK - III Curso de Verão

Tema: Fé e Razão

Palestrantes:
Palestra sobre Ecumenismo - D. Orlando S. de Oliveira
Mesa Redonda sobre Modelos Diocesanos de Formação Teológica: D. Luiz O. P.Prado
Palestra e Projeção sobre o temário Fé e Razão: Prof. Mestre Inácio Pinzetta
Painel sobre o Temário, com as abordagens:
Filosofia - Prof. Mestre Inácio Pinzetta
Rito - Prof. Mestre Revdo. Henrique Illarze
Hermenêutica - Prof. Dr. Revdo. Humberto M. Gonçalves

O III Curso de Verão foi alojado nas dependências do próprio prédio do SETEK, de 7 até 9 do corrente, contando com alunos representantes de diocese do extremo sul-sudeste, (Rio de Janeiro e São Paulo inclusive).

V Domingo da Quaresma

A Oração pela Unidade
São João 17.16-19


“Assim como eu não sou do mundo, eles também não são. Que sejam teus por meio da verdade – a tua palavra é a verdade. Assim como tu me mandaste ao mundo, eu também os mandei. A favor deles eu me entrego completamente a ti. Faço isso para que de fato eles pertençam a ti.”

“Jesus reza por seus discípulos mais próximos. Cabe a eles testemunhar Seu amor e verdade ao mundo, e ele ora também para que sejam preservados na verdade que revelou, bem como na santidade à qual, por eles se consagrou. A oração por sua unidade está associada à oração pela fidelidade dos discípulos para com a verdade, bem como por sua consagração em santidade.
Esta oração já foi chamada de oração de Jesus pela unidade. Não o é menos uma oração por verdade e santidade. De fato, percebe-se cada vez mais que a redescoberta da verdadeira unidade dentre os cristãos não pode ser separada da profunda compreensão da verdade e do crescimento em santidade. A visão da renovação dos cristãos como algo chave para a unidade significa que os cristãos, atraídos para mais próximo do Cristo no caminho da santidade, se tornam também mais próximos uns dos outros.
E oramos: Deus eterno e misericordioso, tem misericórdia de tua Igreja e permite que nós, buscando a unidade em Cristo e na verdade da palavra santa, possamos, com um só entendimento e uma só voz, glorificar-te, o Pai de Jesus Cristo nosso Senhor.”
Arcebispo Michael Ramsey, Gateway to God
Editado por Lorna Kendall,
Darton, Longman and Todd, Londres 1988

Oração pelos que ainda se tornarão Discípulos
São João 17.20-25

“Jesus continua, e reza por aqueles que ainda se tornarão seus discípulos. É uma oração que nos inclui. Ele ora para sejamos um, uns com os outros, participando da unidade do Pai e do Filho. Ele reza para que participemos agora na glória da paixão e assim participemos também da glória de Jesus no céu, vendo-a com nossos próprios olhos.
Jesus está a caminho do Getsêmane e do Calvário, mas o céu está perto. Em verdade, quanto mais ele mergulha nas trevas do mundo, mais próximo está dos céus. Isto é assim porque o amor é uno e indivisível, e o amor que sofrerá morrendo aqui na terra, é o mesmo amor que reina eternamente. A oração de Jesus tem se refletido em homens e mulheres de santa vida ao longo dos séculos. São pessoas que sofreram muito mas que descobriram que seu sofrimento foi transfigurado pela luz celestial.
Oramos: Ó Deus, cujo bendito Filho não conheceu a alegria sem primeiro sofrer a dor, nem chegou à glória antes de abraçar a cruz: planta Sua cruz em nossos corações, para que em Seu poder e amor alcancemos ao final de nossa fé, a coroa celestial, pelo mesmo Jesus Cristo nosso Senhor.”

Arcebispo Michael Ramsey, Gateway to God
Editado por Lorna Kendall
Darton, Longman e Todd, Londres 1988